Governo da Bahia e sindicato omitem prisão de policial

Policial é um dos envolvidos com episódio que terminou com morte de investigador e motivou greve da Polícia Civil baiana

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O governo da Bahia e o Sindicato dos Policiais Civis do Estado omitiram a prisão, na semana passada, do terceiro policial suspeito de participação no episódio de extorsão que terminou com um investigador morto e motivou uma crise no setor de segurança no Estado .

Detido na semana passada, o investigador Jurandir Desidério é suspeito de integrar uma quadrilha de policiais civis especializada em crimes de extorsão. Os outros suspeitos são os agentes Antônio Dante Barbosa, que se apresentou no último dia 21, e Valmir Borges Gomes, morto em tiroteio entre policiais no último dia 2. Um homem de 30 anos que seria informante do grupo também foi preso.

De acordo com o governo baiano, Valmir Gomes morreu por reagir a uma abordagem de policiais que investigavam uma denúncia de extorsão. Segundo a investigação, o policial e seu grupo estavam exigindo R$ 10 mil de um rapaz de 19 anos que seria vendedor de lança-perfume.

A família do rapaz conhecia um delegado e acionou a Delegacia de Tóxicos, que armou um flagrante no local de entrega do dinheiro, com apoio de policiais do grupo de elite. Houve intenso tiroteio em meio a um dos bairros mais nobres de Salvador e Gomes acabou morto.

O episódio motivou uma forte reação do Sindipoc (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia), que apontou “execução” na morte do colega e anunciou greve às vésperas do Carnaval. O movimento foi declarado ilegal pela Justiça.

As investigações posteriores levaram à prisão de outros dois suspeitos de integrar o suposto grupo: o agente Antônio Dante Barbosa, que se entregou no último dia 21, e Geison Sérgio Cerqueira da Fonseca, apontado como informante do grupo. As prisões foram divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública do Estado.

Mas diferentemente das ações anteriores na divulgação do caso, o governo não anunciou a prisão de Jurandir Desidério, o terceiro policial acusado de integrar a suposta quadrilha. Tampouco se manifestou o sindicato da categoria, que havia reagido fortemente nos primeiros dias após o caso. Segundo as apurações do episódio, Jurandir não estava presente no ato da extorsão porque estava de plantão, mas integrava as ações do grupo. Inclusive já havia sido baleado, em dezembro de 2010, ao supostamente tentar extorquir um traficante, episódio em que Valmir Gomes também terminou baleado.

Procurado pela reportagem, o secretário-geral do Sindpoc, Bernardino Gayoso, disse que a entidade não se manifestou sobre a última prisão porque “está deixando ver até onde a secretaria [da Segurança] quer ir com esse monte de prisões e perseguições”. “Queremos saber quem matou [o policial Gomes} e por que matou”, afirmou.

A reportagem também procurou as assessorias da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública, mas ainda não obteve resposta.

    Leia tudo sobre: bahiasalvadortiroteiopoliciais

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG