Governo baiano corta ponto de professor de universidade em greve

Docentes das quatro instituições de ensino superior do Estado estão parados, o que afeta cerca de 60 mil alunos

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O governo da Bahia determinou nesta semana o corte do ponto de professores de universidades estaduais em greve. Docentes das quatro instituições de ensino superior do Estado estão parados, o que afeta cerca de 60 mil alunos.

As reivindicações nas quatro universidades são as mesmas: os professores discordam da proposta de reajuste do governo, que busca congelar negociações até 2014, e criticam medidas de contenção de despesas impostas pela administração estadual.

Os 765 docentes da Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz) e os 950 da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) entraram em greve na primeira semana de abril. No dia 11 foi a vez dos 950 docentes da Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana). Os 1.940 professores da Uneb (Universidade Estadual da Bahia), a maior do Estado, engrossaram o movimento nesta semana.

Em anúncio publicado em jornais baianos nesta quinta (26), a gestão Jaques Wagner (PT) diz ter ampliado em 86% os orçamentos das universidades desde 2006. Informou ainda que atendeu reivindicação ao incorporar aos salários da categoria, a partir deste ano, uma gratificação que representa 70% do vencimento mensal docente.

A incorporação será paga em quatro anos. Segundo o governo, representa 18% de ganho real. As condições para pagamento, contudo, opõem professores e governo. A gestão Wagner quer congelar novos aumentos até o fim da incorporação das gratificações, em 2014, e os docentes não aceitam.

“O Estado está tentando tomar medidas para se estabilizar (financeiramente)”, afirmou ao iG Clóvis Caribé, coordenador de educação superior da Secretaria da Educação.

Na nota pública, o governo também informou a suspensão do pagamento dos professores da Uesc, Uesb e Uefs, em greve há mais tempo, já na folha de abril. Justificou a medida por “prejuízos causados à sociedade”. Negou ainda que o ajuste fiscal de R$ 1,1 bilhão anunciado neste ano afete as atividades das universidades.

Elisa Lemos, diretora de formação sindical da Aduneb (Associação de Docentes da Uneb), disse que as negociações estão paradas. “O governo está intransigente, dizendo que não negocia com movimento paralisado”. Docentes, alunos e funcionários das universidades em greve fizeram um protesto nesta quinta (26) em Salvador que reuniu cerca de mil pessoas, segundo os organizadores.

O governo baiano diz que a única condição para negociação é a manutenção da “cláusula econômica” que posterga eventuais novos reajustes - sem contar os aumentos anuais do funcionalismo e a incorporação gradual das gratificações - para depois de 2014. “O governo está aberto à negociação”, afirmou Caribé.

Para o coordenador de Educação Superior da gestão Wagner, o “problema é político”. As associações de docentes das universidades baianas são ligadas a Conlutas, central ligada ao PSTU e crítica do governo federal.

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