Estado do São Francisco nascerá falido, diz governo Jaques Wagner

Com plebiscito no Pará, gestão petista na Bahia tenta evitar onda separatista na região oeste do Estado

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Com a confirmação, para dezembro deste ano, do plebiscito sobre a divisão do Pará , o governo da Bahia se movimenta para evitar o avanço da onda separatista no Estado. Setores do oeste da Bahia defendem a criação do Estado do São Francisco. Separada pelo rio de mesmo nome, a nova unidade da Federação teria 35 municípios e 173 mil km2 de área, quase o equivalente aos territórios de Portugal e Áustria juntos. A população seria de 908,6 mil habitantes, cerca de 6,5% do total da Bahia.

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Estudo divulgado pelo governo Jaques Wagner (PT) aponta que o hipotético Estado do São Francisco nasceria pobre, com um déficit fiscal anual de R$ 800 milhões. O cálculo da SEI (Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais) leva em conta o custo estimado de manutenção da nova unidade (R$ 2,5 bilhões) e a previsão de receita (R$ 1,7 bilhão).

A maior parte das cidades do eventual Estado do São Francisco fica na chamada “nova fronteira agrícola” da Bahia, de regiões produtoras de soja e algodão e pólos de fruticultura.

O desmembramento, proposta em circulação desde o século 19, é defendido por políticos como o deputado federal Oziel Oliveira (PDT-BA), que foi prefeito de Luís Eduardo Magalhães, um dos principais municípios da região, de 2001 a 2008. "É um desejo da população de muitos anos, para alavancar o desenvolvimento social e econômico”, afirma.

O governador Jaques Wagner já se manifestou contrário à divisão e cita ações de sua gestão para o oeste baiano, como a construção da ferrovia Oeste-Leste. “Não se divide a Bahia. Criar um novo Estado é criar despesa, e não receita”, disse em entrevista recente.

O estudo do governo baiano diz ainda que a estimativa de déficit anual ainda não considerou custos de investimento em obras de infraestrutura, como construção de edifícios governamentais e instalação de serviços. “Os resultados do estudo apontam claramente para a inviabilidade da sustentação econômico-financeira desse hipotético Estado”, afirmou Geraldo Reis, diretor da SEI.

Autor de um projeto de lei para criação do novo Estado, o deputado Oliveira afirma discordar da avaliação do governo. “A Bahia ia ganhar muito com a criação da nova unidade. Não estaríamos dividindo recursos da Bahia, mas da União. Vão sobrar recursos para ser aplicados na Bahia”, diz.

Em linhas gerais, nossa conclusão é de que o Estado do São Francisco seria pobre, concentrador de riquezas e com dificuldades de geração de investimentos para os municípios menores”

Com a divisão, a Bahia perderia 6,4% do seu PIB, estimado em R$ 121,5 bilhões, indica a avaliação do governo. O novo Estado nasceria com um PIB de R$ 7,7 bilhões. A pesquisa também aponta que a riqueza da nova unidade ficaria concentrada em apenas quatro municípios: Barreiras, Correntina, Luís Eduardo Magalhães e São Desidério, que somariam 83,6% da arrecadação, 60,84% do PIB e 54% dos empregos formais.

“Em linhas gerais, nossa conclusão é de que o Estado do São Francisco seria pobre, concentrador de riquezas e com dificuldades de geração de investimentos para os municípios menores”, afirmou o diretor da SEI, Geraldo Reis.

Alheio às afirmações da gestão Wagner, o deputado Oliveira diz que a criação do novo Estado trará soluções para os municípios pequenos. Ele afirmou que começará a coletar assinaturas para o projeto em breve. “Em 30 dias teremos as adesões necessárias”, estima.

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