Empresários da Bahia se mobilizam por volta do horário de verão

Regiões Norte e Nordeste não participam do fuso horário artificial desde o verão de 2003/04

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Empresários da Bahia começaram nesta semana uma campanha pela inclusão do Estado no horário de verão, o fuso horário artificial mantido pelo governo federal nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste com o objetivo de reduzir o consumo de energia no horário de pico (18h às 21h).

O adiantamento dos relógios por uma hora, que neste ano ocorrerá em 16 de outubro, visa deslocar o auge do consumo elétrico para horários ainda com luminosidade, já que em regiões próximas à linha do Equador os dias são mais longos e as noites são mais curtas durante o verão. A redução de demanda no último verão foi de 4,4% no horário de pico, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

As regiões Norte e Nordeste estão de fora do horário especial desde 2003/04. A justificativa oficial é que a medida traz pouca economia a áreas afastadas da linha do Equador, em que dias e noites têm duração semelhante - não compensaria, portanto, a mudança de hábitos imposta à população.

Em 2005, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ratificou a não-inclusão do Estado no horário de verão. Reconheceu à época que o tema dividia opiniões “inclusive entre especialistas em energia”, mas disse ter decidido após estudar o assunto e consultar segmentos sociais – citou até enquete segundo a qual apenas 30% dos baianos defendiam a volta ao horário de verão.

Após ensaiar uma mobilização pró-horário de verão em 2010, os empresários da Bahia voltaram à carga neste ano. Montaram uma campanha de comunicação para mobilizar a opinião pública em torno do assunto. Pelo retorno do fuso artificial, destacam argumentos como a distância da região da linha do Equador e o fato de que 81% da economia nacional está dentro do horário especial.

Dizem ainda que o Estado, ao trabalhar em horários diferentes do centro financeiro, industrial e logístico do País, tem o próprio desempenho econômico prejudicado. Perde, por exemplo, duas horas diárias em negociações cambiais de comércio exterior e com a redução do horário de funcionamento dos bancos (as agências funcionam pelo horário de Brasília, que segue o fuso artificial).

“Estamos preferindo nos alinhar a 19% da economia nacional, em vez de aos 81%, o que é lamentável”, afirmou o presidente do Fórum Empresarial da Bahia, Victor Ventim, que milita pela retomada do horário de verão.

O planejamento da campanha dos empresários baianos prevê estímulo à “construção de percepção positiva na sociedade” sobre a medida e desenvolvimento de “estratégias de abordagem para impactar públicos de interesse”, como imprensa e população adulta de grandes centros urbanos. Citam números próprios em sua defesa, como os de pesquisa realizada neste mês na Grande Salvador e que apontou, por exemplo, que 61% dos moradores ”avaliam de forma positiva o alinhamento do horário bancário com principais centros do País”.

A menos de um mês do início do horário especial no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, os empresários baianos pretendem levar a proposta a Wagner para uma eventual mudança ainda neste ano. O governador, contudo, tem se manifestado com cautela sobre o tema – não descarta o pedido mas cita necessidade de mais estudos e consultas à sociedade.

    Leia tudo sobre: horário de verãobahiaempresários

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG