Elevador despenca do 20º andar e mata nove em canteiro de obras na Bahia

Funcionários relataram problemas em equipamento. Falha mecânica e excesso de peso são possíveis causas

Thiago Guimarães, iG Bahia |

AE
Queda de elevador em prédio em construção em Salvador deixa nove mortos


Um elevador despencou na manhã desta terça-feira (9) do 20º andar de um prédio comercial em construção em Salvador e causou a morte de nove operários. A obra de 32 andares, da construtora Segura, fica nas imediações da avenida Antônio Carlos Magalhães, na região do Iguatemi, área nobre da cidade.

Funcionários da obra e auditores fiscais do Ministério do Trabalho que estavam no local do acidente nesta manhã apontaram irregularidades no elevador, que caiu de uma altura de aproximadamente 60 metros.

“Sempre vinha avisando. Falei que ia acontecer algum acidente. A balança (elevador) estava carregando muita gente”, disse ao iG o pedreiro José Antônio de Jesus, de 49 anos, que estava no 11º andar da construção no momento do acidente.

Segundo o operário, cabos de aço do elevador já havia soltado faíscas nas duas primeiras viagens do dia – o acidente, afirmou, ocorreu na terceira viagem. Os operários morreram na hora.

Abalado, o filho de uma das vítimas, também operário da construção, repetia as críticas. “Essa balança todo dia quebrava. Cabiam sete pessoas, queriam colocar 11, 12. A gente reclamava e não podia parar a obra porque tinha que trabalhar”, disse Washington Santos, que também trabalha no local.

Por meio de nota, a Construtora Segura diz que "acompanha de perto as investigações levadas a efeito pela perícia técnica, destacando-se, desde já, que o equipamento estava funcionando dentro dos parâmetros de segurança e em perfeito estado de conservação".

O cabo de aço do elevador não se partiu, mas auditores do trabalho que estiveram no prédio nesta manhã identificaram irregularidades no equipamento, modelo movido a eletricidade e considerado ultrapassado.

Falha mecânica e excesso de peso são possíveis causas do acidente. O elevador foi construído pela empresa Hércules, mas a manutenção e a operação, segundo os auditores, eram de responsabilidade da construtora Segura.

De acordo com o auditor de trabalho Flávio Nunes, chefe do setor de Segurança e Saúde da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego da Bahia, o elevador tinha capacidade para transportar oito pessoas, ou cerca de 550 quilos, mas levava nove operários. Ele ressaltou, contudo, que o peso total dos operários poderia ser menor do que a capacidade do equipamento, questão que ainda será investigada.

A equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho identificou que ao menos um dos freios automáticos do elevador não funcionou. Também não havia cancelas de proteção em frente ao equipamento – pedaços de madeira improvisados “enganavam” o dispositivo de segurança que garante que a cabine não se mova se a porta estiver aberta.

“Sabemos que há irregularidades, mas ainda não podemos apontá-las como as causas”, disse o auditor Nunes. Segundo ele, já são 18 mortes em acidentes em canteiros de obras na Bahia em 2011.

A reportagem esteve no local do acidente. Cabos partidos, capacetes, uniformes e sangue no chão mostravam a gravidade do acidente.

A Sucom (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município), órgão da prefeitura de Salvador responsável pela fiscalização da obra, informou que "aparentemente não havia nada de ilegal” na construção, que possuía alvará.

A construção, vizinha à sede da Sucom, foi interditada pelo órgão, que aguarda laudo técnico do Corpo de Bombeiros e do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) para se pronunciar sobre as causas do acidente.

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