Imóvel, que fica no centro antigo da capital baiana, estava condenado pela Defesa Civil

Um casarão tombado pelo patrimônio histórico, localizado no centro antigo de Salvador, desabou na madrugada desta quarta-feira (25). Dois homens estavam no local – um foi hospitalizado e o outro morreu nos escombros.

Moradores em frente ao local do desabamento do casarão, na Ladeira da Soledade, em Salvador
AE
Moradores em frente ao local do desabamento do casarão, na Ladeira da Soledade, em Salvador
O corpo de José Carlos dos Santos, 40 anos, foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros por volta das 16h. O trabalho de resgate foi dificultado pelo risco de mais desabamentos no local, e os bombeiros só entraram após o escoramento de parte da estrutura. Ao todo, havia cinco pessoas no local no momento do acidente - quatro conseguiram escapar com ferimentos leves.

O imóvel, tombado pelo Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia), estava condenado pela Defesa Civil municipal por risco de desabamento. A fachada do casarão havia recebido obras de escoramento e estabilização, mas o acidente ocorreu nos fundos do imóvel, por volta das 4h.

O casarão fica no centro antigo de Salvador, área que abrange o chamado centro histórico, reconhecido pela Unesco (órgão da ONU para educação e cultura) como Patrimônio Cultural da Humanidade e que inclui o Pelourinho. O imóvel acidentado, contudo, fica fora dos limites do centro histórico.

O acidente ocorre menos de uma semana após os ministérios públicos Federal e Estadual na Bahia entrarem com ação pedindo intervenção do Poder Público para desocupação e interdição de imóveis degradados na região do centro de Salvador.

“A principal preocupação neste momento é a chegada do período de intensas chuvas que deve se estender até julho, criando situação de perigo iminente para a integridade física e a vida de pessoas e para o patrimônio cultural”, informaram os órgãos na divulgação da ação.

Segundo um plano de reabilitação do centro antigo de Salvador, divulgado em 2010, a região começou a entrar em processo de esvaziamento e decadência a partir da década de 70, impulsionado por obras fora da área central, como a avenida Paralela e o Centro Administrativo da Bahia.

Levantamento recente de uso e ocupação do solo no centro antigo de Salvador mostrou que 28% das 10,9 mil unidades usadas para habitação na região são construções em condições precárias, erguidas em ocupações informais em encostas, vilas e cortiços.

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