Cacique é suspeita de dizer à Previdência que branco é índio

Maria Valdelice foi intimada pela PF. Índios que exercem atividade rural são considerados segurados especiais da Previdência

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Uma cacique tupinambá de Ilhéus (460 km de Salvador) é investigada pela Polícia Federal por suspeita de emissão de declaração falsa em processos de concessão de benefícios previdenciários.

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A cacique tupinambá Maria Valdelice de Jesus
Deflagrada nesta quinta-feira pela PF e pelo Ministério da Previdência Social, a operação Radar colheu provas para inquérito que apura fraudes contra a Previdência no município. Houve cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão e um para obrigar a pessoar a prestar depoimento.

O mandado para obrigar a prestar depoimento foi cumprido contra a cacique tupinambá Maria Valdelice de Jesus, que já havia sido detida em fevereiro e cumpre prisão domiciliar sob acusação de invasão de terras. A reportagem não conseguiu contato com a cacique ou com sua defesa.

De acordo com a delegada Lívia Rodrigues, a cacique é suspeita de declarar falsamente que determinadas pessoas seriam índios, em processos de concessão de benefícios previdenciários.

Índios que exercem atividade rural são considerados segurados especiais da Previdência, com direito a benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, aposentadoria por idade, salário maternidade e auxílio-acidente.

A suposta quadrilha teria participação de um servidor do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em Ilhéus. Segundo a PF, ele atuaria na intermediação e concessão de benefícios de várias modalidades mediante o recebimento de propina. Teria começado as práticas ilegais em São Paulo, onde trabalhava desde 2003, e dado continuidade ao suposto esquema ao chegar a Ilhéus, em 2007.

O grupo sob investigação é formado por seis pessoas, e o prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 500 mil. Caso sejam comprovados os crimes, os suspeitos poderão responder pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e formação de quadrilha, com penas que podem alcançar seis anos de prisão.

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