Bolsa Família estava com valor defasado, justifica ministra

Tereza Campello, da pasta do Desenvolvimento Social, diz que não há contradição entre aumento do benefício e cortes no Orçamento

Thiago Guimarães, enviado a Irecê |

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, negou que o reajuste anunciado para o Bolsa Família seja uma contradição do governo diante de medidas recentes de contenção de gastos, como os cortes no Orçamento e a defesa de aumento menor do salário mínimo no Congresso.

"Não vejo nada contraditório. O salário mínimo vem tendo uma valorização substantiva ao longo desses oito anos. O salário mínimo teve aumento real bem acima da renda média da população brasileira, em torno de 127%, enquanto a renda média cresceu 77%. E o Bolsa Família teve reajustes menores, agora ele começa a se equiparar a esse rendimento médio", afirmou a ministra em entrevista após o evento em Irecê (BA) em que a presidenta Dilma Rousseff anunciou o aumento.

Para a ministra, salário mínimo e Bolsa Família não podem ser comparados porque são "duas políticas que cumprem um papel diferenciado".

Questionada sobre as chamadas "portas de saída" do programa, medidas para que as famílias deixem de depender do dinheiro do Bolsa Família, Campello disse que já há um "conjunto de ações" nesse sentido no País, como o Pronaf (financiamento à agricultura familiar).

Com o reajuste, os novos valores do Bolsa Família, pagos a partir de abril, vão variar de R$ 32 a R$ 242. Foi o quarto aumento em sete anos do programa, que tem quatro tipos de benefícios: o básico, o variável, o variável vinculado ao adolescente e o variável extraordinário.

O benefício básico, que vai a R$ 70 (reajuste de 2,9%), é pago a famílias consideradas extremamente pobres, com renda mensal de até R$ 70 por pessoa, mesmo que não tenham crianças, adolescentes ou jovens.

Famílias pobres com renda mensal de até R$ 140 por pessoa, desde que tenham crianças e adolescentes de até 15 anos, recebem o benefício variável de R$ 32 (reajustado em 45,5%). Cada família pode receber até três benefícios variáveis.

Há ainda o benefício variável vinculado ao adolescente (BVJ), reajustado para R$ 38 (15,2%) e pago a todas as famílias do programa que tenham adolescentes de 16 e 17 anos frequentando a escola. Cada família pode receber até dois benefícios variáveis vinculados ao adolescente.

O benefício extraordinário, que varia de caso a caso, é pago às famílias nos casos em que a migração para a Bolsa Família dos programas Auxílio-Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Cartão Alimentação cause perdas financeiras.

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