Bahia não vai conviver com ¿laranja podre¿ na polícia, diz Wagner

Governador comentou a operação que terminou com morte de investigador suspeito por outros policiais

Thiago Guimarães, iG Bahia |

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira (4), em referência a uma operação que terminou com a morte de um policial civil suspeito e motivou declaração de greve da categoria, que o Estado não irá “conviver com laranja podre” nas polícias.

“Tudo preocupa, agora eu quero deixar bem claro que não há hipótese nenhuma de a gente conviver com laranja podre dentro de nenhuma unidade da segurança pública. Não há criminoso pior do que o criminoso uniformizado, alguém que usa do distintivo da Polícia Militar, Civil ou da polícia técnica para extorquir ou para entrar no mundo do crime”, disse o petista, que visitou instalações de segurança e saúde do carnaval de Salvador.

Na noite de quarta-feira (2), o investigador Valmir Borges Gomes, 54 anos, foi morto por policiais civis que investigavam uma denúncia de extorsão. Segundo o governo baiano, Gomes, o policial civil Antônio Dante Barbosa Ferreira e um informante reagiram à abordagem no momento que receberiam propina de um rapaz de 19 anos flagrado com lança-perfume. A família do rapaz acionou a Corregedoria da Polícia, que armou o flagrante no local.

Houve troca de tiros em meio a uma avenida movimentada da Pituba, bairro de classe média alta de Salvador. Carros e fachadas de edifícios foram atingidos. Gomes morreu e os outros dois suspeitos fugiram. O episódio gerou forte mobilização do sindicato dos policiais civis no Estado, que declarou greve na quinta-feira (3) em protesto. O movimento foi declarado ilegal pela Justiça no mesmo dia.

O governador disse lamentar a morte do policial, mas disse considerar “estranha” a reação do sindicato.

“Óbvio que eu sinto pela morte, eu preferiria que tivesse sido feito pela via da prisão, mas só quero lembrar que foram três contra um naquele momento, dois atirando, um se defendendo e, infelizmente, veio a óbito. Agora, acho estranho que alguns segmentos resolvam defender quem estava no crime. Aí, para mim, a postura é, no mínimo, precipitada. É claro que eu vou esperar o final da apuração de tudo que ocorreu, mas insisto: eu sou do lado da vida, mas que se tiver que tombar alguém, prefiro que tombe do lado do marginal do que do lado do policial, do lado de quem está trabalhando pela segurança”, disse o petista.

Sindicato diz que categoria trabalha com apenas 30% do efetivo

Embora o Sindipoc-BA (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia) afirme que a categoria está trabalhando com apenas 30% do efetivo, o governo baiano diz que o policiamento não está sendo afetado.

“[A greve] não atrapalhou, estamos fazendo monitoramento do movimento, a greve já foi considerada ilegal pela polícia. Os postos policiais trabalharam normalmente. Em algumas delegacias ainda se encontra um pouco de resistência, mas acho que a tendência agora é de as coisas entrarem nos eixos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa.

Segundo Barbosa, na comparação com o mesmo período do ano passado, houve redução de 2% nas ocorrências policiais no primeiro dia de carnaval em Salvador. Os dois casos mais graves foram tentativas de homicídio, que terminaram com dois homens esfaqueados.

A reportagem procurou verificar o funcionamento de dez delegacias de Salvador nesta sexta-feira (4). Seis unidades, entre elas as duas que concentram as ocorrências dos principais circuitos do carnaval, relataram que o trabalho estava normal. Em outras quatro unidades selecionadas, os telefones não foram atendidos.

O presidente do Sindipoc-BA, Carlos Lima, disse que a entidade está discutindo suas próximas ações, que incluirão visita a delegacias. “Vamos levar ao conhecimento de alguns colegas os fatos completos”, disse.

Em nota, o sindicato classificou como “desastrosa e arrogante” a ação que resultou na morte do policial Borges, que integrava o conselho fiscal da entidade. “A desastrosa operação revela incompetência, mau planejamento e, sobretudo, um estilo sanguinário de fazer segurança pública”, diz o texto.

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