Aeronáutica investiga como empresário pilotou helicóptero com licença vencida

Habilitação de Marcelo Mattoso de Almeida expirou há seis anos, segundo informação que consta no site da Anac

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

A Aeronáutica investiga como o empresário Marcelo Mattoso de Almeida, de 48 anos, pôde pilotar o helicóptero que caiu na noite da última sexta-feira (17) próximo à praia de Ponta de Itapororoca, no distrito de Trancoso, em Porto Seguro, no sul da Bahia. Ele possuía habilitação para conduzir a aeronave, mas a licença estava vencida há seis anos, desde junho de 2005.

A informação consta no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e foi antecipada pelo jornal carioca O Dia. O inquérito sobre a queda do helicóptero está sendo conduzido pelo Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA 2), com sede em Recife (PE).

Reprodução
Em consulta no site da Anac, é possível checar que habilitação de Marcelo estava vencida
De acordo com a Aeronáutica, antes de embarcar, os pilotos têm que preencher um formulário traçando o plano de voo e fornecer seu código de cadastro na Anac aos agentes do Departamento de Controle Aéreo (Decea) situados na sala de tráfego da localidade onde estejam decolando.

No formulário de plano de voo, o piloto fornece dados como o local de decolagem e de destino, alternativas de pouso em caso de imprevistos e tempo estimado de rota. Com o código de cadastro na Anac, ligado ao banco de dados da agência reguladora, os agentes checam as validades de habilitações e exames médicos.

Se o piloto não apresentar irregularidades no sistema conhecido como “Decolagem Certa”, ele pode levantar voo. Caso contrário, o piloto deve ser impedido até mesmo com o apoio de forças policiais, se for necessário.

Irregularidades

A área de consulta do site da Anac mostra que Marcelo teve sua licença de piloto privado de helicóptero expedida em julho de 2000. Ele era habilitado a pilotar quatro tipos de helicópteros de pequeno porte. Todas as autorizações, no entanto, estavam vencidas.

O certificado de capacidade física, emitido pelo Centro de Medicina Aeroespacial (Cemal) – órgão ligado à Aeronáutica – também havia expirado em agosto de 2006. O documento é exigido para qualquer tripulante de aeronave e emitido após uma série de exames médicos. De acordo com a Anac, para pilotos privados com idades entre 40 e 60 anos – situação de Marcelo – a validade do certificado é de 12 meses.

Quatro pessoas morreram no acidente aéreo ocorrido na noite da última sexta-feira (17). Entre as vítimas, estavam a jornalista Fernanda Kfuri, de 34 anos, o filho dela, Gabriel Kfuri Gouveia, de 3 anos, o primo do menino, Luca Kfuri de Magalhães Lins, também de 3 anos, e a babá das crianças, Norma Batista de Assunção, de 49 anos.

Três pessoas estão desaparecidas. São elas: Mariana Fernanda de Noleto, de 19 anos, namorada há sete anos de um dos filhos do governador do Rio, Sérgio Cabral, Jordana Kfuri Cavendish , e o empresário e piloto do voo Marcelo Mattoso de Almeida.

Procurada pela reportagem do iG, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) comunicou que vai se pronunciar somente após o término das investigações da Aeronáutica. O órgão regulador alegou não ter sido notificado sobre o episódio.

Buscas são retomadas

Os trabalhos de busca pelos quatro desaparecidos na queda do helicóptero foram retomados na manhã deste domingo (19) por equipes da Marinha e da Força Aérea Brasileira. De acordo com o Comando do 2º Distrito Naval, as buscas contam com o apoio de dois navios e três lanchas.

Uma das embarcações possui um equipamento com sondas que realizam varreduras. O navio está na região do acidente para tentar identificar a localização do helicóptero no fundo do mar.

O voo do helicóptero prefixo PR-OMO deveria durar dez minutos. A aeronave decolou do aeródromo de Porto Seguro (BA) às 18h41 e tinha como destino o Jacumã Ocean Resort, condomínio de luxo que tem Marcelo Mattoso de Almeida como sócio . De acordo com a Aeronáutica, durante o voo, o piloto não fez contato com o controle de tráfego aéreo local para informar qualquer anormalidade.

A última visualização feita por radar do helicóptero ocorreu 16 minutos após sua decolagem, às 18h57, a aproximadamente 23 km em direção ao mar. Segundo a Marinha, havia um aviso de condições meteorológicas desfavoráveis para a região. Chovia fino, ventava e havia neblina na hora do acidente.

Essa seria a primeira viagem para o resort. Como o helicóptero não comportava todos os convidados, a aeronave retornaria a Porto Seguro para buscar os demais passageiros. Entre as pessoas que fariam a segunda viagem estavam o governador do Rio, Sérgio Cabral, e seu filho Marco Antônio.

Assista ao vídeo sobre o acidente:

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Queda de helicóptero deixa 4 mortos e 3 desaparecidos

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