Governo e quilombolas não chegam a acordo sobre área disputada com Marinha

Marinha conseguiu na Justiça a reintegração de posse do terreno, na Bahia, onde vivem 67 famílias, já reconhecidas como quilombolas, e que não aceitam a desocupação.

Agência Brasil |

Agência Brasil

O governo federal e a comunidade quilombola Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho, na Bahia, onde existe uma vila militar da Marinha, não chegaram a um acordo em relação à área de 300 hectares disputada judicialmente. A Marinha conseguiu na Justiça a reintegração de posse do terreno onde vivem 67 famílias, já reconhecidas como quilombolas, e que não aceitam a desocupação.

Disputa:  'Os militares infernizam a nossa vida', diz quilombola sobre disputa por terra

Segundo o advogado que representa a associação de moradores, Maurício Correia, que acompanhou os quilombolas em reunião na Advocacia-Geral da União (AGU), com a participação de representantes da Fundação Palmares e do Incra, o governo ofereceu às famílias uma área menor, de 23 hectares, equivalente a 23 campos de futebol.

Associação de Moradores do rio dos Macacos
Quilombolas dizem que são oprimidos pela presença da Marinha na área que deveria ser deles

“Daria menos de meio hectare para cada família. É dentro do território, mas longe dos acessos à água da barragem, por exemplo, o que, na prática, inviabiliza a sobrevivência da comunidade enquanto comunidade rural”, disse Correia à Agência Brasil.

Segundo o advogado, foi exigida do governo uma fundamentação técnica da proposta. “Queremos um laudo técnico, seja do Incra ou da Embrapa, que fundamente a viabilidade de 67 famílias viverem em uma área de 23 hectares e manterem uma vida digna. E qual o uso que a Marinha pretende dar ao restante do terreno”.

Correia disse que, além da fundamentação técnica, o governo se comprometeu a analisar a viabilidade de fazer obras emergenciais de infraestrutura em razão das condições precárias de moradia e de acesso dos moradores à vila militar. Para rediscutir o assunto, uma nova reunião entre as partes será marcada para os próximos 20 dias.

    Leia tudo sobre: quilombolasMarinhario dos macacos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG