Dez fazendas são ocupadas por índios no sul da Bahia

Indígenas da etnia Pataxó Hã Hã Hãe intensificaram onda de invasões entre sexta-feira e noite de domingo. Eles reivindicam a posse de 54,1 mil hectares

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Os índios da etnia pataxó hã-hã-hãe, do sul da Bahia, intensificaram, no fim de semana, as invasões que vêm realizando em fazendas da região. Dez propriedades, oito do município de Pau Brasil e duas de Itaju do Colônia, foram ocupadas entre a noite de sexta-feira e a noite de domingo. Trabalhadores das terras e familiares dos proprietários das fazendas foram feitos reféns, mas já foram liberados. 

Entenda: Índios ocupam fazendas e mantêm ao menos 20 reféns no sul da Bahia

Segundo a Polícia Federal, 64 fazendas foram invadidas pelos indígenas na região este ano. Na semana passada, os pataxós ainda interditaram, por um dia, a rodovia BR-101, que atravessa o Estado no sentido norte-sul, causando dez quilômetros de congestionamentos.

Eles reivindicam a posse de 54,1 mil hectares de terras nos dois municípios e na cidade de Camacan, em uma disputa que se prolonga há mais de três décadas. A área seria integrante da Reserva Caramuru-Paraguaçu, demarcada em 1936, mas o governo baiano concedeu títulos de posse na região para fazendeiros. 

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A Fundação Nacional do Índio (Funai) propôs uma ação cível ordinária ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 1982, pedindo a anulação de 400 títulos emitidos pelo governo baiano. 

A ação, que tem relatoria da ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, chegou a ter o julgamento agendado para 20 de outubro último, mas o governo do Estado pediu para que o tema fosse retirado da pauta pelo risco de "grave comoção pública e eventual desordem social" que a decisão poderia acarretar. Em 31 de março, a ministra entrou com pedido de urgência para a reinclusão do processo na pauta.

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