O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) negou hoje que tenha participado de um esquema de arrecadação ilegal de recursos na sua campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. O mensalão mineiro, segundo Azeredo, nunca existiu.

Para ele, o que houve foi um problema na prestação de contas apresentada pela coligação de sua campanha ao governo mineiro. Na época, o tucano perdeu as eleições para Itamar Franco, hoje no PPS.

"Nunca houve mensalão em Minas Gerais", disse Azeredo. Afirmou, ainda, que não há ligação entre o caso mineiro e o "mensalão" denunciado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O esquema foi revelado pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) e investigado pela CPI dos Correios, em 2005. O mensalão do governo Lula desviaria supostamente verbas públicas para a compra de apoio de parlamentares no Congresso. "Não tem ligação de uma coisa com a outra. Não é correto chamar de mensalão mineiro", repetiu Azeredo.

"Em Minas Gerais foi um procedimento de prestação de contas da coligação que me apoiou. Foi prestação de contas como outras que tiveram problemas, mas que não tiveram essa notoriedade da minha", disse o tucano.

Na véspera da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que vai resolver se abre ou não ação penal contra Azeredo, o ex-governador mineiro afirmou que é "um equívoco de imaginação" a correlação feita pelo Ministério Público entre irregularidades ocorridas em Minas e o mensalão do governo Lula. Na denúncia, o Ministério Público considerou o esquema de Minas o "embrião" do mensalão mineiro.

Azeredo argumentou ainda que não teve participação em nenhum dos episódios relatados na denúncia feita pelo Ministério Público. "Não tem a minha assinatura em nenhum lugar", disse Azeredo, que não pretende ir amanhã assistir a sessão do Supremo.

Denúncia

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o mensalão mineiro se caracterizou por uma operação para desviar recursos públicos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) para beneficiar a campanha de Azeredo e seu vice, Clésio Andrade.

"Essas empresas patrocinaram eventos que aconteceram. A Petrobras não está patrocinando agora Deus e o mundo por aí?", indagou Azeredo. Na denúncia do Ministério Público é citada a suposta participação no esquema da SMPB, empresa de publicidade de Marcos Valério Souza, que seria ligado a Clésio Andrade. A empresa de Marcos Valério também foi apontada como a principal operadora do mensalão do governo Lula.

As investigações feitas pela Polícia Federal apontaram que a coligação de Azeredo arrecadou na campanha de 1998 cerca de R$ 80 milhões, mas declarou à Justiça Eleitoral apenas R$ 8,22 milhões. De acordo com perícia do Instituto Nacional de Criminalística, R$ 10,8 milhões foram doados a candidatos de 19 partidos.

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