Azeredo e relator divergem sobre processo do mensalão mineiro

BRASÍLIA (Reuters) - O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), denunciado pela Procuradoria-Geral da República por envolvimento no chamado mensalão mineiro, afirmou nesta quinta-feira que o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, incluiu um recibo falso de 4,5 milhões de reais no processo. Barbosa negou. Estou afirmando com toda a clareza que esse recibo é falso. Nunca assinei esse recibo e não há comprovação de que ele seja autêntico, disse Azeredo a jornalistas.

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O senador disse que em 2007 denunciou o responsável pela falsificação do recibo, supostamente assinada por ele.

O ministro Joaquim Barbosa disse que a defesa de Azeredo ignorou o recibo, que consta da denúncia.

"O que eu tinha que falar eu disse ontem (quarta-feira). Não há uma única palavra na defesa do acusado sobre esse recibo de 4,5 milhões (de reais). Esse recibo consta da denúncia e a defesa silenciou-se completamente sobre ele", declarou o ministro, durante o intervalo da sessão em que concluirá se o STF acatará a denúncia contra Azeredo.

Na quarta-feira, o ministro recomendou ao tribunal abertura de ação penal contra Azeredo por crime de peculato. Recursos supostamente desviados de Minas Gerais teriam servido para o caixa da campanha de Azeredo à reeleição do governo mineiro em 1998.

Pela denúncia apresentada em 2007 pelo procurador-geral da República da época, Antonio Fernando Souza, foram desviados 3,5 milhões de reais por meio de contratos de publicidade da agência SMPB com as estatais Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).

A SMPB é do empresário Marcos Valério, considerado o operador do mensalão mineiro e do mensalão do PT. Os recursos seriam destinados a eventos esportivos, mas teriam ido parar na campanha derrotada de Azeredo.

O senador, que negou ter conhecimento dos patrocínios realizados pelas estatais, também considera estranha a aceitação da denúncia pelo STF. Argumentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu acusações semelhantes e teve outro tratamento.

"Eu acho estranho. Não vou entrar no mérito mas a situação é muito semelhante", afirmou.

O ministro Barbosa retomou nesta quinta-feira a leitura de seu relatório, em que pode acatar ainda a denúncia de crime de lavagem de dinheiro imputado ao senador. Em seguida, os demais ministros do STF se manifestam sobre a abertura de ação penal.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello; Edição de Carmen Munari)

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