Avô de Isabella prepara dossiê sobre investigação

SÃO PAULO - O avô da menina Isabella, Antônio Nardoni, disse que divulgará na próxima semana um dossiê com supostas irregularidades nas investigações do crime feitas pela polícia e pela perícia de São Paulo. A informação foi dada por ele mesmo, ao chegar ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, onde será ouvido junto com 12 testemunhas de defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da criança e acusados do crime.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


No dossiê, Antônio criticará a "falta de isenção" da delegada Renata Helena Pontes, que conduziu o inquérito, e as afirmações feitas pelos peritos à Justiça, que não constavam nos laudos.

"Vamos provar à população que há irregularidades desde o início do caso", disse. "Cansei de mentira." Ele dirá ainda que Alexandre e Anna Carolina foram interrogados e indiciados pela polícia sem que os investigadores tivessem os laudos da perícia em mãos. "Os laudos não mostram sangue nem vômito. Não provam nada."

Sangue no apartamento

No primeiro depoimento desta quinta-feira ao juiz Maurício Fossen, no 2º Tribunal de Justiça de São Paulo, o policial Valter Santos da Silva, que foi um dos policiais que atenderam a ocorrência sobre a queda de Isabella Nardoni do sexto andar do Edifício London, afirmou ter participado da primeira varredura no prédio após a morte da menina e que não viu sinais de arrombamento na porta do apartamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O PM disse que viu, no entanto, marcas de sangue no corredor do aparamento do casal.

Ele também afirmou que todos os apartamentos do edifício foram vistoriados e que foi feita, inclusive, uma varredura na garagem e todos os porta-malas dos veículos lá estacionados, mas nada foi encontrado.

Luiz Carlos Mariano, outro policial que participou da ocorrência e também prestou depoimento nesta quinta-feira, disse que participou da varredura no edifício e também viu marcas de sangue no corredor do apartamento do casal.

Ele afirmou ainda à Justiça, que, ao chegar no edifício, encontrou Alexandre Nardoni ao lado de Isabella no gramado. Segundo o PM, Alexandre dizia que alguém havia entrado em seu apartamento.

Porteiro

Segunda testemunha a prestar depoimento nesta quinta, Damião da Silva Santos, porteiro noturno do prédio em que os pais de Anna Jatobá moram em Guarulhos, afirmou que conhece o casal e que eles estiveram no edifício no dia 29 de março e permaneceram entre às 18h e 23h. Porém, ele não soube dizer o horário exato em que eles saíram do local.

Prestador de serviços

O prestador de serviços, José Vandevaldo Melo Gomes, o Vando, foi a quarta testemunha a prestar depoimento. Ele afirmou que após o crime ficou 30 dias sem trabalhar no edifício London, onde prestava serviços em três apartamentos. Segundo ele, todos os serviços no local foram por indicação de Alexandre Nardoni.

No dia 29 de março, Vando disse que foi ao apartamento 51 pela manhã, onde realizava um serviço. Ele afirmou que chegou a ver o casal e as crianças no prédio.

O prestador de serviço disse que nunca ficou com as chaves dos locais onde trabalha e ressaltou que, no edifício London, não lhe pediam documentos para entrar no prédio porque ele já tinha cadastro e era conhecido dos moradores. Vando negou também que tenha tido qualquer problema com a família de Alexandre Nardoni.

Ele disse ainda que chegou a trocar as fechaduras das portas dos apartamentos 62 e 63, que pertencem respectivamente a Alexandre e Cristiane Nardoni, antes deles mudarem.

Vando disse ainda que depois do crime, a decoradora Márcia Regina, que trabalhava junto com ele, entrou em contato duas vezes pedindo para ele ligar para Antonio Nardoni e que ajudasse nas investigações do caso. Ele teria respondido que ajudaria, mas só se Antonio ligasse para ele.

Indagado se ele havia sido hostilizado na rua como suspeito pelo crime, Vando disse que ele pessoalmente não, mas que a mulher, a irmã e a filha sim.

Antonio Gomes Pereira e Paulo Rogério de Camargo, que trabalham na mesma prestadora de serviços também prestaram depoimento e confirmaram a versão dos fatos relatadas por Vando.

Depoimentos de quarta

O prestador de serviços Vando foi citado nesta quarta-feira no depoimento de Nathália de Souza Domingos Severino , amiga de infância de Cristiane Nardoni e estagiária de Direito no escritório de Antonio Nardoni.

Nathália, que estava com a tia de Isabella na noite do crime, afirmou à Justiça que encontrou um prestador de serviços da família Nardoni, identificado como Vando, no dia da morte de Isabella e que ele teria dito que iria até o apartamento levar chaves ao prédio onde o casal mora.

(Com informações da Agência Estado)

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