O advogado Antônio Nardoni, avô de Isabella, afirmou nesta sexta-feira que o seu filho Alexandre Nardoni e a mulher, Anna Carolina Jatobá - indiciados pela morte da menina, que caiu do sexto andar do apartamento na zona norte de São Paulo - não comparecerão à reconstituição do crime, marcada para ocorrer neste domingo. Segundo ele, a decisão já foi comunicada ao 9º Distrito Policial, que cuida da investigação do caso.

"Essa foi uma decisão técnica da defesa. Alexandre e Anna Carolina disseram que o que a defesa definisse, eles cumpririam. Então, a defesa definiu que eles não vão comparecer. Até agora eles não têm criado dificuldade para a polícia fazer as investigações. Só acho que eles não poderiam ir a um local onde eles não concordam com o que a polícia entende que seria correto. Eles têm a versão deles. É uma opção que a lei dá. Também, como pai, acho que eles não devem ir", afirmou. Mais cedo hoje, um dos advogados do casal, Rogério Neres de Sousa, disse que a defesa ainda não havia decidido sobre a ida do casal.

Antônio Nardoni afirmou ainda que, ao lado dos advogados da defesa do casal, está analisando os laudos periciais do Instituto de Criminalística. "Os laudos da perícia não são conclusivos e não determinam de quem é o sangue no carro de Alexandre", disse. "Existem alguns pontos nos laudos que podem favorecer a defesa, mas não posso dizer quais no momento". Para ele, o depoimento do casal na semana passada foi muito longo, o que tornou-o inconstitucional, já que, segundo ele, o Código de Processo Penal impede um depoimento de mais de quatro horas (foram mais de 17 horas de depoimento, somando as oitivas de Alexandre e Anna Carolina).

O avô de Isabella ainda fez questão de ressaltar que não apagou provas do crime. "Eu estive lá no apartamento no dia 31 à tarde (Isabella morreu no dia 29). Declarei isso à polícia. O apartamento estava liberado e eu poderia ter entrado. Mesmo assim, solicitei ao chefe dos investigadores e ele disse que não haveria problema. Eu estive lá, não mexemos e não alteramos nada. E um dado importante: a perícia constata que após o dia 30 não houve nenhuma alteração no local, o que confirma minha versão".

Ele negou ainda que o filho tenha voltado ao apartamento e contou que só foi ao apartamento para pegar roupa dos filhos de Alexandre e Anna Carolina. "Depois que a polícia entrou no apartamento, deve ter verificado tudo lá. Aliás, se alguém mudou a cena do crime, deve ter sido a polícia, não nós", afirmou. Questionado sobre a possibilidade de a polícia pedir a prisão preventiva de seu filho e da nora, ele afirmou que não vê razão para essa medida. "Se houver o pedido, eu continuo acreditando que não existem os requisitos para o pedido da prisão preventiva", disse.

Espaço aéreo

A Justiça acatou o pedido da Polícia Civil de São Paulo para fechar o espaço aéreo em um raio de 3 km em torno do Edifício London para que seja feita a reconstituição do crime. O delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, Luiz Antonio Pinheiro, pediu o fechamento do espaço aéreo para ver se existe a possibilidade de que vizinhos do prédio, onde Isabella Nardoni foi jogada do sexto andar, ouvissem uma possível discussão entre Alexandre e Anna Carolina.

Reprodução
Reconstituição deve ocorrer no domingo

O delegado afirmou que esse procedimento, que foi negado pela Aeronáutica, será importante para a reconstituição, marcada para domingo.

Nesta sexta (25), os bombeiros vistoriaram o prédio e os políciais realizaram o cadastro de todas as residências que se encontram ao lado do edifício. O cadastro contém os nomes dos proprietários e automóvel de cada casa. A movimentação na rua do prédio será restrita, somente será permitida a entrada dos moradores anteriormente cadastrados, de entregadores de farmácia e restaurantes.




O trânsito de automóveis será impedido em toda a extensão da rua em que fica o prédio desde as 11 horas da noite de Sábado e somente será permitido trânsito de moradores.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá serão escoltados pela polícia desde de Guarulhos até o apartamento do casal, localizado na zona norte da capital paulista. Para conter os populares, a polícia montará bolsões de retenção, distantes no mínimo 60 metros do prédio. Para evitar a aproximação de jornalistas, a polícia usará grades de proteção.

"Delicadamente jogada"

O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela investigação da morte da criança, afirmou na quinta-feira que ela foi "delicadamente" derrubada do 6° andar. Isso, na opinião de Cembranelli, refuta a versão apresentada pelo casal. Se fosse um monstro, como dizem os indiciados, certamente não se preocuparia e arremessaria a menina de qualquer lugar e de qualquer jeito. Ela foi jogada do quarto dos irmãos, cuidadosamente introduzida no buraco da rede de proteção e delicadamente teve as mãos soltas", afirmou.

Segundo o promotor, por conta do piso de granito, Isabella teria sofrido danos físicos ainda maiores se fosse arremessada da janela de seu quarto. Há um gramado abaixo da janela do quarto dos irmãos.

Inquérito e reconstituição

Cembranelli esteve reunido por cerca de três horas na tarde de quinta com a delegada-assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes. Segundo o promotor, o encontro serviu para finalizar dados do inquérito policial, que será concluído após a reconstituição da morte da menina, marcada para domingo.

Ele voltou a dizer que provas indicam "claramente" que a cena do crime foi adulterada. "Tentou-se maquiar a versão verdadeira. Tentaram remover as manchas de sangue e até conseguiram remover algumas, mas os equipamentos de perícia modernos captaram a alteração", explicou, afirmando que essa remoção quase prejudicou a perícia.

O promotor afirmou que já vai começar a ler o inquérito policial e examinar os laudos, além de confirmar sua presença na reconstituição da morte de menina.

Cembranelli disse que "não há dúvida" de que o sangue encontrado no carro do casal Alexandre e Anna Carolina era de Isabella. "A conclusão é clara. Só não vê quem não quer".

Para ele, o prazo de 30 dias concedido por lei para a investigação policial será respeitado. Ele ainda explicou que já tem uma idéia do motivo do crime, contudo, não deu maiores esclarecimentos. "Isso será dito no momento oportuno", disse.

Operação especial

Cem policiais militares e civis , incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), farão no domingo o policiamento no entorno da Rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei, para a reconstituição do assassinato.

O reforço no policiamento será ainda maior caso o casal indiciado pelo crime confirme participação na reconstituição. "Vamos agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais", afirma o delegado da 4ª Seccional Norte, César Camargo, que reuniu-se hoje com síndicos e subsíndicos de cinco prédios da rua para acertar detalhes operacionais da reconstituição. Os advogados de defesa do casal ainda não decidiram se Alexandre e Anna Carolina estarão presentes.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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