A operadora de planos de saúde Avimed, que quebrou e está sem condições atender adequadamente aos seus 215 mil clientes, anunciou a comercialização da carteira de usuários para a Itálica Saúde, de São Paulo, empresa que recebeu nota baixa na última avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No entanto, não há certeza de que o negócio vai se concretizar.

Segundo comunicado da empresa, a Itálica começou a atender pacientes, o que contraria resolução da agência pela qual o governo deve autorizar a venda. A Avimed diz que a agência deveria responder sobre a regularidade da operação. Em nota, a ANS informou que “a divulgação antecipada (da venda) é de responsabilidade das operadoras” e que “a concretização da venda sem a autorização da ANS é passível de punição”. O órgão não especificou as medidas em estudo, mas informou que a decisão sobre a validade do negócio deve ser tomada nos próximos dias.

A ANS determinou a venda da carteira da Avimed no mês passado, em razão de problemas financeiros insolúveis. Segundo a legislação, a agência é obrigada a verificar se a empresa interessada na compra da carteira tem capacidade técnica e financeira para assumir os planos de mais clientes. A Itálica, interessada no negócio, passou por intervenções da ANS em 2008 e recebeu nota de desempenho abaixo do mediano na avaliação de 2007.

Em 2004, a Polícia Civil de São Paulo descobriu dois laboratórios credenciados da operadora que teriam fraudado exames. Na época, as investigações apontaram que exames não eram avaliados, mas os clientes recebiam laudos de que estavam em boas condições de saúde. A agência, que abriu diligência sobre o caso, não informou ontem os resultados da apuração. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que o caso segue em investigação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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