AVC: fique atento aos sintomas

AVC: fique atento aos sintomas Por Isis Brum São Paulo, 11 (AE) - Formigamento nos braços ou nas pernas, dificuldade de fala ou uma dor de cabeça súbita podem ser alertas do organismo para acidente vascular cerebral (AVC), doença que atinge anualmente uma média de 30 mil pessoas apenas no Estado de São Paulo. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que, entre 1995 e 2007, 5 mil paulistas morreram vítimas desse tipo de enfermidade.

Agência Estado |

No Brasil, esse número sobe para 90 mil.

Quem poderia ter entrado nas estatísticas foi o treinador do São Paulo, Ricardo Gomes. Ele foi internado no Hospital São Luiz, após o clássico contra o Palmeiras (no dia 21 de fevereiro), ao sentir um forte incômodo no braço. O primeiro diagnóstico médico foi vasculite, uma inflamação na artéria cerebral, uma das causas que levam ao acidente vascular cerebral (AVC), segundo neurologistas.

O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico. "O acidente vascular cerebral isquêmico é uma obstrução da artéria que impede a passagem do sangue para o cérebro, deixando-o sem oxigênio", define Roberto Morgulis, neurologista do Hospital Albert Einstein. "O processo é semelhante ao do enfarte do coração. Mas, nesse caso, trata-se de um enfarte do tecido cerebral." No hemorrágico, a artéria se rompe e o sangue vaza.

A vasculite é uma inflamação arterial. Entre os fenômenos que provocam o derrame, a vasculite não só é um dos mais raros, como é comum ser identificada apenas quando o paciente é internado sofrendo o AVC, segundo Rubens Gagliardi, vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

A inflamação tem de ser tratada, no entanto, porque o inchaço pode obstruir o fluxo sanguíneo. Arteriosclerose e plaquetas que saem do coração e vão parar nas artérias, entupindo-as, também são causadoras da doença.

Idosos, diabéticos, hipertensos e pessoas com histórico familiar para doenças vasculares estão mais propensas a sofrer um derrame. Apesar de a doença ser silenciosa, e os sinais de alerta aparecerem, geralmente, na iminência do enfarte cerebral, é possível preveni-la tomando cuidados básicos com a saúde como dieta balanceada, exercícios físicos regulares, nada de cigarro e consumo moderado de bebidas alcoólicas.

Se a doença for diagnosticada em tempo, o tratamento emergencial é feito com medicamento específico para desobstruir ou desinflamar a artéria. "Depois, vamos descobrir o que causou o AVC e tratar", explica o neurologista do Albert Einstein.

"Se a causa for o diabetes, vamos tratar o diabetes, se for hipertensão ou infecção, faremos o mesmo", afirma Morgulis. "São situações específicas e damos tratamentos específicos para cada caso", relata o médico.

A vasculite não provoca sequelas. O AVC, tanto isquêmico, quanto hemorrágico, pode comprometer a parte motora (braço, perna e boca) e a fala. Também pode provocar disfazia - dificuldade de compreensão e cognição - e levar ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como a depressão.

BOXE

AVC sem sequelas

Na opinião do neurocirurgião - e torcedor são-paulino - Santino Lacanna, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o técnico Ricardo Gomes pode ter sido alvo de um AVC hemorrágico por causa do sangramento que ele sofreu, apesar de bem pequeno - do tamanho de um grão de areia. "Se o vazamento do sangue ocorre, por exemplo, no cerebelo ou na parte frontal, os sobreviventes não ficam com sequelas físicas", diz Lacanna.

Foi o que aconteceu com o advogado Hebert Oliveira Callegari, de 34 anos, no ano passado. Vítima de AVC hemorrágico, Oliveira sofreu um sangramento no cerebelo e não ficou com lesão. Mas, desde o derrame, convive com um trauma emocional. "Não fico mais sozinho. E, quando tomo banho, levo o celular junto."
Callegari estava escovando os dentes para ir dormir quando sentiu uma dor de cabeça súbita e muito forte. Pensou que passaria se dormisse, mas não pegou no sono. Por volta das 2 horas, acordou os pais e seguiu com eles para o pronto-socorro de um hospital particular em Santos. A tomografia diagnosticou o AVC. Segundo o médico Santino Lacanna, pode acontecer de uma artéria ter um defeito muito pequeno e ser imperceptível de captar pelos equipamentos existentes hoje. (I.B./AE)

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