BRASÍLIA - A avaliação do governo do presidente Lula caiu pela primeira vez desde outubro de 2007, ficando em 62,4% o percentual de entrevistados que avaliam positivamente o governo, apontou a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira. A avaliação do governo vinha crescendo ininterruptamente desde outubro de 2007 (57,5%) até bater recorde em janeiro deste ano, quando obteve 72,5% de avaliação positiva.

Segundo a pesquisa, 29,1% dos entrevistados consideram o governo Lula regular, contra 21,7% que responderam da mesma maneira em janeiro. Avaliam o governo negativamente 7,6% do eleitorado contra 5% apurado na última pesquisa.  

O desempenho pessoal do presidente também apresentou queda, ficando em 76,2% o percentual de entrevistados que o aprovam. Em janeiro de 2009, o índice foi de 84%, outro recorde da série histórica.

Entre os que desaprovam, a pesquisa apurou que em março 19,9% estavam insatisfeitos com a atuação do presidente, contra 12,2% apurado em janeiro.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada com 2 mil eleitores de 136 municípios, entre os dias 23 e 27 de março. A margem de erro é de 3%.

Eleições 

A pesquisa quis saber qual a tendência do eleitorado para a eleição presidencial em 2010 e apurou que Lula ainda é o mais citado na pesquisa espontânea, com 16,2% de citações. O governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, foi citado por 8,8% dos entrevistados.

Agência Brasil

Aprovação de Lula cai e  transferência de votos sobe

Já a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, passou, pela primeira vez na série histórica, o governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) e ficou em terceiro lugar na pesquisa espontânea, com 3,6%, seguida de Aécio, com 2,9% e do deputado Ciro Gomes (PSB), 1,5%.

Na lista estimulada pela pesquisa CNT/Sensus, com José Serra como candidato do PSDB, ele seria eleito presidente com 45,7% contra 42,8% apurado em janeiro. Dilma ficou em segundo lugar com 16,3%. Em janeiro, ela obteve 13,5%. Heloísa Helena se manteve estável com 11% da preferência do eleitorado.

Na segunda lista, desta vez com Aécio Neves como candidato do PSDB, haveria empate técnico com Dilma. O tucano teria 22% e Dilma, 19,9%. Heloísa Helena viria atrás com 17,4%. 

Trocando Dilma por Ciro Gomes como candidato do governo, Serra ainda se mantém na frente com 43,1% de preferência. Ciro viria com 14,9% e Heloísa Helena, com 12,8%.  

Na última lista, com Aécio Neves como candidato tucano, haveria empate técnico com Ciro Gomes, como candidato do governo, com 21,2% de Aécio contra 19,2% do deputado federal. Heloisa Helena mais uma vez ficaria em último, mas empatada, com 19%. 

Segundo turno

Em um segundo turno entre Serra e Dilma, o governador seria eleito presidente com 53,5% e a ministra ficaria com 21,3%. Em janeiro, estes índices foram, respectivamente, 50,8% e 16,6%. Na segunda opção, com Aécio no lugar de Serra, a ministra seria eleita com 29,1% e Aécio ficaria em segundo lugar, com 28,3%.  

Essa foi a primeira vez que a ministra obteve mais citações do que o governador mineiro na pesquisa CNT/Sensus. 

Transferência de votos

Aumentou o índice de eleitores que votariam apenas em um candidato apoiado pelo presidente Lula, passando para 21,5%, contra 15,6% que responderam da mesma forma em janeiro de 2008. O percentual de eleitores que poderiam votar em um candidato apoiado pelo presidente se manteve estável, na casa dos 28%. Porém, caiu o índice da população que só votaria em um candidato apoiado por Lula conhecendo suas proposta de governo, que antes era de 34% e agora ficou em 25,9%. 

Aumentou a taxa líquida do poder de transferência de voto do presidente Lula, avalia o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes. De acordo com ele, o crescimento da ministra Dilma nas pesquisas e a maior tramitação política dela pode ter influenciado na transferência de percentual entre os que só votariam em um candidato apoiado pelo presidente conhecendo-o, para o rol dos que só votariam em um candidato apoiado por Lula.

Índice do cidadão

A pesquisa registrou o Índice de Avaliação do Cidadão de 41,18. Este índice é formado pela ponderação das variáveis emprego, renda, saúde, educação e segurança pública sobre os últimos seis meses. O Índice de Expectativa para os próximos seis meses, em contrapartida, ficou em 65,90.

Violência

A violência ainda é um dos problemas que mais preocupam a população: 20,6% classificam a cidade onde moram como muito violenta; 19,7% como violenta; 25,6% como mais ou menos violenta; 22,7% como pouco violenta; e 11,2% como nada violenta. Em janeiro de 2009, última vez que a pesquisa foi realizada, os números eram: 13,8%, 18,9%, 28,4%, 25,7% e 12,6%.

Segundo a pesquisa, 64,5% dos entrevistados acham que o impacto da crise econômica no Brasil vai agravar a violência contra 28,1% que não concordam com essa afirmação. 

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