Autoridade admite contato com ex-membro das Farc para fim humanitário

BRASÍLIA - Em meio ao silêncio do Palácio do Planalto em relação a suposta ligação de autoridades brasileiras com membros da Força Armada Revolucionária Colombiana (Farc), pelo menos um membro do governo admitiu ter tido contato com representante da guerrilha colombiana. O subsecretário de Promoção e Direitos Humanos da Presidência da República, Perly Cipriano, admitiu ter visitado o ex-representante da Farc no Brasil, Oliverio Medina, na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde esteve preso, em 2006.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

Tive contato com ele (Oliverio) pois sou secretário do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos; ele estava preso em condições irregulares. O procurador da República Luiz Francisco de Souza pediu que acompanhássemos sua situação. Ele estava com presos comuns, inclusive com traficantes, sem direito a banho de sol e ainda tinha problemas de saúde, argumentou o subsecretário Perly, um dos citados na revista colombiana Cambio.

Perly Cipriano, no entanto, rebateu que o governo não tem qualquer contato com lideranças do movimento guerrilheiro. O Brasil se relaciona de forma institucional com o governo colombiano. Não há qualquer tipo de relação entre autoridades governamentais brasileiras e membros da Farc, afirmou o subsecretário.

A reportagem classifica como dossiê as correspondências trocadas pelo líder do grupo morto em março, Raul Reyes, com outros dois membros da guerrilha, entre eles o ex-padre, que mora no Brasil desde 97. No entanto, diretamente, não há emails enviados ou recebidos entre qualquer autoridade brasileira e os membros da guerrilha.

Casado e com uma filha, Oliverio Medina ou padre Camilo ¿ apelidos do líder guerrilheiro Francisco Cadena Collazos ¿ representou a Farc no Brasil até o ano passado, quando foi obrigado a renunciar sua atividade na guerrilha se quisesse adquirir status de refugiado no Brasil.

Medina é acusado pelo governo de Álvaro Uribe de ter comandado um ataque a uma base do exército. Em 2005 sua extradição foi requerida pela Colômbia, mas o Comitê Nacional para Refugiados do Brasil concedeu asilo a Medina.

No Brasil, há entre quatro e cinco mil refugiados colombianos, em sua maioria fugitivos de perseguições políticas, sejam elas do governo ou de movimentos guerrilheiros de esquerda como a Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ou dos chamados paramilitares.

O Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre as acusações de envolvimento das autoridades governamentais com os membros da Farc. A assessoria de imprensa do Ministério de Relações Exteriores afirmou, por meio de nota, que o ministro Celso Amorim nunca entrou em contato direto ou indireto com qualquer membro do grupo. O gabinete do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que não há previsão de qualquer emissão de nota oficial do ministro, que está no Paraguai.

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