Dois artistas iranianos, Marjane Satrapi, autora da HQ Persépolis, e o cineasta Mohsen Majmalbaf, pediram nesta terça-feira em Bruxelas à comunidade internacional a não reconhecer a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, que chamaram de golpe de Estado.

"Estamos aqui para pedir à comunidade internacional que não reconheça a legitimidade de Ahmadinejad como presidente. O povo iraniano apoia seu verdadeiro presidente, Mir Hosein Mussavi", declarou Satrapi em uma entrevista coletiva no Parlamento Europeu, após convite do deputado verde Daniel Cohn-Bendit.

"O que aconteceu no Irã durante as eleições celebradas no fim de semana não foi uma fraude, foi um golpe de Estado", acusou a autora da aclamada história em quadrinhos autobiográfica "Persépolis", que levou posteriormente ao cinema.

Mostrando uma folha que apresentou como um documento do ministério iraniano do Interior, Satrapi afirmou que pouco antes do anúncio da vitória de Ahmadinejad, a contagem dos votos dava a vitória a Mussavi.

"O documento estabelece o número de votos para Mussavi, 19.075.723, para (Mehdi) Karubi, 13.387.104, e para Ahmadinejad 5.698.000: isto é tudo. Representa 12% das cédulas, não 62% do apoio anunciado ao presidente iraniano", afirmou.

"Reconhecer a legitimidade de Ahmadinejad significaria não reconhecer a legitimidade do povo iraniano. É necessário que apoiem o movimento democrático do poovo que quer viver em paz, ser capaz de sonhar e definir seu lugar como uma grande nação dentro da comunidade internacional", pediu.

"Amanhã será muito tarde", concluiu Satrapi, ao lado do cineasta Majmalbaf, que leu a mesma declaração em persa.

bur-app/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.