João Emanuel Carneiro decidiu fazer um folhetim subversivo, mas sem exageros. Em A Favorita , novela das 21 horas da Globo, o autor revelou a identidade da assassina no primeiro terço da trama, transformou a mocinha em vilã da noite para o dia e, mais ainda, fez o público ter pena de uma perua socialite - fadada a ser sempre a maldosa nas novelas.

"Não sabia que as pessoas tinham tanta raiva de gente rica! As pessoas não perdoam os ricos! Se eu soubesse, teria tirado os 20 milhões de dólares de Donatela", brinca Carneiro, que não teme uma rejeição à mocinha da vez, apesar de Donatela agir, algumas vezes, de forma politicamente incorreta.

"O público foi enganado pela Flora! Eu fui enganado pela Flora!", fala o autor. "E tudo o que Donatela fez contra Flora está justificado." Mesmo com essa certeza, Carneiro sabe que inovar em novela das 21h não é tarefa simples, uma vez que o público gosta do conforto dos folhetins mais clássicos. "Esse é o desafio. Arrumei um problema para mim e para o telespectador", diz Carneiro. "Essa novela pediu para que o espectador se coloque na trama."

O autor não quer se acomodar e promete uma novela completamente nova a partir desta semana. "A Favorita não foi uma novela espetaculosa no início, mas agora ela será mais espetacular e terá mais apelo popular." Segundo o ibope, a novela tem mais aceitação nas classes sociais mais altas, mas Carneiro não quer ficar conhecido como autor de elite. "Escrevo uma novela popular. Agora o público vai ver uma novela mais normal, com a qual estão acostumadas."

Durante brunch com jornalistas, no Rio, o autor afirmou que essa mudança marcou o fim do "primeiro ato" da novela, em que nem personagens nem audiência sabiam quem era a assassina: Flora ou Donatela. A partir de agora, A Favorita passa a ser um folhetim mais "tradicional" - o "segundo ato"-, em que o público conhece a verdade, em que há uma vilã e uma mocinha definidas. "O terceiro ato será a volta de Donatela, em que público e personagens já sabem a verdade", adianta o autor. Hoje, o autor terá a medição dessa estratégia no primeiro grupo de discussão que a Globo realizará sobre a novela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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