Por Robert Evans e Stephanie Nebehay GENEBRA (Reuters) - O advogado australiano de patentes Francis Gurry venceu uma apertada votação nesta terça-feira para assumir ainda este ano o comando da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Gurry, vice-diretor geral da agência desde 2003, e integrante da organização de patentes e registros desde 1985, bateu o colega brasileiro José Graça Aranha, diretor de registros da organização, por apenas um voto de diferença (42 a 41), em um comitê formado por 83 Estados membros.

Etapas anteriores da votação eliminaram outros 12 candidatos incluindo um influente não-integrante da agência, o embaixador paquistanês em Genebra, Masood Khan.

A decisão final, que garantiu a Gurry o cargo do diretor atual da OMPI, Kamal Idris, que deixa o posto em setembro, será tomada por uma assembléia geral formada por 184 países, mas as autoridades esperam que isso seja uma mera formalidade.

Gurry, um advogado de propriedade intelectual de 57 anos, disse a membros do comitê depois do voto final que reconhecia a importância de garantir que a 'agenda de desenvolvimento' da OMPI realmente impulsione a capacidade de propriedade intelectual de nações mais pobres.

O embaixador norte-americano Warren Tichenor, que desempenhou um papel chave em uma campanha no ano passado para persuadir Idris a renunciar depois de alegações de que ele teria sido favorecido com promoções por enganar a OMPI sobre sua idade, disse que Gurry era a pessoa certa para o trabalho.

A nomeação do australiano, disse Tichenor, 'começa um processo necessário de recuperação da organização', criticada pela controvérsia envolvendo Idris, que originalmente tinha apoio dos Estados Unidos.

Gurry é visto como o arquiteto do bem-sucedido sistema de conciliação de disputas por nomes de domínios na Internet da organização, usado por muitas companhias e personalidades

O voto final refletiu uma clara divisão entre Norte e Sul na OMPI, onde controvérsias sobre a agenda de desenvolvimento tem acontecido, alimentadas pela suspeita de países do sul de que o norte desenvolvido estaria segurando a medida.

Graça Aranha, que presidiu a Agência de Propriedade Intelectual do Brasil antes de ir para OMPI pela segunda vez em 2004, disse a jornalistas que tinha certeza de que Gurry iria trabalhar para fechar o vão entre o Norte e o Sul. 'Vamos esperar que ele seja bem-sucedido', acrescentou.

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