Ausência de testemunha adia novamente julgamento de padres em AL

Testemunha é chave na questão da suposta extorsão que Luiz Marques sofreu dos ex-coroinhas

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca |

Depois de um adiamento porque uma testemunha de acusação não havia sido notificado para depor , desta vez foi a ausência de uma testemunha de defesa que interrompeu a audiência de instrução do processo contra os monsenhores Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e padre Edílson Duarte. Para evitar o cerceamento do direito de defesa, o juiz João Azevedo Lessa suspendeu a sessão, que será retomada em 02 de agosto. 

AE
Os padres Luiz Marques Barbosa (e) e Raimundo Gomes durante o julgamento nesta sezta-feira
Leia também: Testemunha-chave da acusação confirma depoimento dos coroinhas

A testemunha em questão é Daniel Fernandes, primeiro advogado do monsenhor Luiz Marques no caso e que passou recentemente por uma cirurgia na coluna cervical, por isso não pôde comparecer à audiência – onde já tinham sido ouvidas 12 testemunhas de defesa, além da testemunha de acusação Joau Ferreira.

Daniel intermediou um acordo financeiro entre o padre e os três ex-coroinhas Fabiano da Silva Ferreira, Anderson Farias da Silva e Cícero Flávio Vieira Barbosa. Segundo documentos guardados pelo advogado, o padre pagou R$ 32.250,00 aos rapazes para que o vídeo onde ele aparece fazendo sexo com Fabiano nunca viesse a público. O documento constitui prova da extorsão que o religioso sofria.

Esta tese é contestada pela Defensoria Pública, que atua como assistente do Ministério Público na acusação. Segundo a Defensoria, os rapazes produziram o vídeo apenas para fazer com que monsenhor Luiz parasse com as investidas sexuais contra eles, ou o vídeo viria a público. No entanto, como os rapazes passavam por dificuldades financeiras, aceitaram o dinheiro oferecido pelo religioso para que o caso fosse abafado.

A denúncia chegou a ser investigada, mas o inquérito foi arquivado quando foi comprovado que não houve crime de extorsão. O iG teve acesso a uma cópia do inquérito, que diz claramente que “o Monsenhor Luiz Marques Barbosa afirmou que NENHUM dos ex-coroinhas chegou a lhe EXIGIR indevida vantagem para que as filmagens contidas no DVD não fossem divulgadas” [destaques do relatório]. O oferecimento do dinheiro partiu do religioso.

Segundo o documento, o que aconteceu foi a quebra de um acordo financeiro entre Luiz Marques e os ex-coroinhas, já que foi o religioso que ofereceu dinheiro antes de qualquer iniciativa dos rapazes.

A Promotoria está confiante na condenação dos acusados, que serão interrogados na próxima audiência, após a escuta de duas testemunhas requeridas pela acusação: a delegada do caso, Bárbara Arraes, e Alterman Lima, irmão e tio de vítimas dos padres, e a pessoa que procurou o jornalista Roberto Cabrini com o vídeo de monsenhor Luiz Marques.

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