Aumento no cultivo de coca ameaça progresso no controle de drogas

BRASÍLIA - O Relatório Mundial sobre Drogas de 2008, produzido pelo escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC) mostra que a recente estabilização no mercado mundial ilícito de drogas está ameaçada. O aumento repentino de plantação de ópio no Afeganistão e de coca na Colômbia e o risco do elevado consumo de drogas em países em desenvolvimento são sérias ameaças aos avanços alcançados internacionalmente no controle de drogas.

Redação Santafé Idéias |

O relatório mostra também que menos de 5% da população mundial consome drogas ilegais, somente uma em cada vinte pessoas (entre 15-64 anos) usou drogas nos últimos 12 meses. Os dependentes químicos são menos de um décimo desse total: 26 milhões de pessoas, cerca de 0,6% da população adulta do planeta.

"Nos últimos anos, temos acompanhado um progresso impressionante no controle internacional de drogas", disse o diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa. Apesar disso, ele advertiu que o aumento considerável na plantação e produção de drogas na Colômbia e Afeganistão pode por todo o esforço a perder. 

Controle 

O sistema internacional de controle de drogas foi desenvolvido ao longo de um século, a partir da comissão criada em 1909, em Xangai para controlar o comércio de ópio. Este ano, o relatório traz uma perspectiva dos últimos 100 anos de políticas internacionais sobre drogas. E mostra que, comparada a um século atrás, a produção mundial de ópio é cerca de 70% menor, apesar de a população mundial ter quadruplicado no mesmo período. 

O relatório também analisa as tendências da droga desde a Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU (UNGASS, na sigla em inglês) de 1998, que instou os países a se esforçarem mais para controlar a droga. "Estatísticas sobre drogas mostram que o problema foi drasticamente reduzido ao longo do último século, e tem se estabilizado nos últimos 10 anos", disse Costa.

Soluções

Para o UNODC, é preciso agir em três frentes: tratar o problema de drogas como questão de saúde pública (prevenção, atenção e tratamento), prevenir o crime (romper elos entre crime organizado, corrupção e terrorismo) e respeitar os direitos humanos (particularmente em relação ao dependente químico e ao usuário de drogas).

Colheita recorde

O Relatório Mundial sobre Drogas 2008 do UNODC faz um alerta sobre o recente aumento da oferta de drogas. O Afeganistão teve uma colheita recorde de ópio em 2007. Em conseqüência, a produção mundial de ópio ilícito quase duplicou desde 2005. 

A maioria das plantações (80%) está localizada em cinco províncias do sul, onde insurgentes talibãs lucram com as drogas. No resto do país, o cultivo de ópio ou está chegando ao fim ou tem diminuído, chegando a níveis mínimos. "Mais estabilidade e mais apoio financeiro estão ajudando a livrar muitas províncias do Afeganistão do ópio. No sul, que é controlado pelos talibãs, é preciso combater conjuntamente a droga e a insurgência", disse o diretor do UNODC.

O mesmo padrão se repete na Colômbia, onde o cultivo de coca aumentou em 27% em 2007, embora os níveis estejam 40% abaixo do recorde de produção atingido no ano 2000. O plantio da folha de coca e a produção de cocaína foram altamente concentrados em dez municípios (cerca de 5% do total de 195 municípios).

Estes foram responsáveis por cerca de metade de toda a produção de cocaína (288 toneladas) e por um terço do cultivo (35 mil hectares). "Na Colômbia, assim como no Afeganistão, as regiões onde a maioria da coca cresce são controladas por insurgentes", observou Costa.

Apesar deste aumento significativo no cultivo de coca, a produção de cocaína na Colômbia (maior produtor do mundo) permaneceu estável devido aos rendimentos mais baixos do plantio: exploração da coca em locais mais dispersos, remotos e de menor porte. 

"Nos últimos anos, o governo colombiano destruiu as plantações de coca em grande escala por meio de erradicação aérea. Foi, sem dúvida, uma campanha bem sucedida contra os grupos armados, bem como traficantes de droga. No futuro, com as FARC enfraquecidas, o controle do cultivo da coca pode se tornar mais fácil", disse o Costa.

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