Aumenta risco de automedicação pela internet

Estudo diz que 39% dos acessos na web buscam informações de saúde

iG São Paulo |

Das 63 milhões de pessoas que acessaram a internet no País no ano passado, 39% buscaram informações sobre saúde na rede. O número de interessados nessas consultas cresceu 6% em um ano, de acordo com o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic).

Na opinião de especialistas, a busca por informações médicas na internet traz problemas como a automedicação e a autoconsulta. Outra agravante são os conteúdos pouco confiáveis disseminados, que os internautas acabam tomando como verdade.

Pesquisas feitas no País apontaram problemas nos sites, como estar em desacordo com os princípios éticos determinados pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp). "O nosso temor crescente é a automedicação na internet", afirma o conselheiro do Cremesp, Reinaldo Ayer de Oliveira. Ele conta também que os médicos têm reclamado que pacientes obtêm informações sobre determinados medicamentos na rede e querem que eles prescrevam. "Mas nem sempre aquele produto é indicado para aquele paciente e muitos acabam até trocando de médico por um tempo."

A falta de informações corretas, confiáveis e com referências é uma agravante citada por Oliveira e outros especialistas. "Em torno de 70% dos sites sobre saúde não têm referências médicas." Há seis anos, uma pesquisa feita por um bolsista do Cremesp apontou que todas as informações sobre cirurgia bariátrica na rede não eram relacionadas a médicos, mas a leigos.

Oliveira acrescenta que em algumas especialidades a internet oferece um bombardeio de informações sem critérios. Entre elas estão as dietas, os tratamentos para menopausa e propostas miraculosas para a área estética.

Falta de informação de qualidade

André Pereira Neto, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, que já fez pesquisas sobre o assunto, aponta a falta de informações de qualidade. "As pessoas muitas vezes buscam informações nos sites mais acessados, mas nem sempre são os melhores." Para ele, as informações são um estímulo à automedicação.

De acordo com o pesquisador, os internautas devem ficar atentos aos detalhes do site antes de confiar nas informações. "Se a informação não tiver autor, deve-se mudar de página. Observar se por trás da informação não existe o interesse na venda de produtos."

Mas nem tudo é ruim. Jorge Carlos Machado Curi, presidente da Associação Paulista de Medicina, afirma que é positivo consultar a internet para informações sobre qualidade de vida, como atividades físicas e controle de estresse.

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