SANTA CATARINA - O número de mortos pelas enchentes em Santa Catarina subiu para 110, segundo a Defesa Civil do Estado.

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Neste domingo, parou de chover nas áreas mais críticas do Vale do Itajaí e as buscas por desaparecidos, que chegaram a ser interrompidas por algumas horas no sábado, foram retomadas.

Na noite de sábado, desembarcaram no aeroporto de Navegantes equipes da Cruz Vermelha, bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com quatro cães farejadores para auxiliar nos trabalhos. A Defesa Civil acredita que ainda há 19 desaparecidos no Estado.

Ao todo, são 27.410 pessoas desabrigadas e 51.297 desalojadas. A estimativa é que cerca de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas pelas enchentes.

A Defesa Civil informou que a entrega de doações aos municípios afetados pelas chuvas já é realizada por via terrestre, em razão da melhora com as condições das estradas. Em nota, o órgão diz que a principal necessidade dos desabrigados, neste momento, são colchões, lençóis e travesseiros.

Segundo orientações do capitão Edir da Defesa Civil, é preferível que as doações sejam realizadas em dinheiro, por meio das contas bancárias disponíveis, para que estes materiais sejam comprados.

O município de Ilhota contabiliza o maior número de vítimas: 37. Em Blumenau, 24 pessoas morreram. A cidade de Gaspar já conta 15 mortos, Jaraguá do Sul tem 13, Luís Alves conta 6 vítimas e a cidade de Rodeio, 4. Rancho Queimados, Benedito Novo e Itajaí têm duas vítimas cada e Brusque, Pomerode, Bom Jardim da Serra, São Pedro de Alcântara e Florianópolis contam um morto cada.

Zoneamento urbano

A tragédia que deixou 24 mortos em Blumenau vai demorar para ser esquecida. O geólogo Juares Aumond, professor da Universidade Regional de Blumenau, compara a tragédia a um corpo humano submetido a traumas. "Não se pode dizer que a topografia da região foi alterada. Ela ficará, isso sim, com maior número de cicatrizes", explicou.

De acordo com o secretário municipal de Planejamento Urbano, Walfredo Ballistieri, está em andamento um estudo para rever o código de zoneamento do município, prevendo mais áreas de impermeabilidade e a verticalização do crescimento urbano. "É preciso repensar a ocupação dos espaços", disse.

O geólogo Aumond concorda. Segundo ele, o fenômeno é natural e pode se repetir no futuro. O impossível é saber quando. "Pode ser daqui a um ano ou daqui a uma década, mas é provável que se repita", alertou. Ele atribui o risco às características do relevo na região, com montanhas e encostas íngremes, e do solo que recobre as formações rochosas, bastante espesso e suscetível a desmoronamentos.

Por isso, ressalta o geólogo, é indispensável que o poder público organize a ocupação urbana do município, evitando que as pessoas se instalem em áreas de risco.

Sobre o nível de instabilidade do solo blumenauense, o secretário Ballistieri adianta que qualquer avaliação mais precisa só poderá ser feita com uma semana de sol. "Laudos feitos agora poderiam ser mascarados e levar a decisões incorretas", afirmou. É preciso esperar que a terra seque totalmente, pois, quando isso acontecer, novos movimentos geológicos podem ocorrer, levando ao surgimento de rachaduras.

Doações

As contas bancárias abertas para receberem doações em Santa Catarina em nome do Fundo Estadual de Defesa Civil registravam na sexta-feira um saldo de R$ 3,553 milhões.

Em São Paulo, as subprefeituras continuam recebendo doações para as vítimas das chuvas e a Cruz Vermelha está com vários postos de arrecadação espalhados pelo Estado. Na zona sul da cidade, a Faculdade Adventista, na Estrada de Itapecerica, está recebendo, selecionando e enviando os donativos para Santa Catarina.

Neste domingo, antes do início do jogo entre São Paulo e Fluminense, torcedores e demais cidadãos poderão entregar nos portões do Estádio do Morumbi garrafas de água, que serão destinadas às vítimas das chuvas em Santa Catarina.

Morro do Baú é a área mais atingida; assista

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