Audiência de padres acusados de pedofilia é retomada em Arapiraca

No terceiro dia de julgamento, três testemunhas serão ouvidas pelo juiz João Azevedo Lessa. Padres são acusados de abusar sexualmente de ex-coroinhas de suas paróquias

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca |

O julgamento dos padres Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e Edílson Duarte, acusados de abuso e exploração sexual de menores, foi retomado nesta terça-feira, às 9h20, no Juizado da Infância de Arapiraca. Eles são acusados de terem abusado sexualmente de Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Ferreira da Silva e Anderson Farias da Silva durante vários anos, enquanto os rapazes eram coroinhas em suas paróquias.

Neste terceiro dia do julgamento, serão realizados três depoimentos e outros três interrogatórios. O primeiro a ser ouvido seria Daniel Fernandes, que foi advogado do monsenhor Luiz Marques no caso. Ele, convocado pela defesa, não pode comparecer a audiência anterior realizada no último dia 22.

Daniel intermediou um acordo financeiro entre o padre e os três ex-coroinhas Fabiano da Silva Ferreira, Anderson Farias da Silva e Cícero Flávio Vieira Barbosa. Segundo documentos guardados pelo advogado, o padre pagou R$ 32.250,00 aos rapazes para que o vídeo onde ele aparece fazendo sexo com Fabiano nunca viesse a público. O documento constitui prova da extorsão que o religioso sofria.

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Esta tese é contestada pela Defensoria Pública, que atua como assistente do Ministério Público na acusação. Segundo a Defensoria, os rapazes produziram o vídeo apenas para fazer com que monsenhor Luiz parasse com as investidas sexuais contra eles, ou o vídeo viria a público. No entanto, como os rapazes passavam por dificuldades financeiras, aceitaram o dinheiro oferecido pelo religioso para que o caso fosse abafado.

AE
Padres Luiz Marques Barbosa (e) e Raimundo Gomes durante audiência no último dia 22

A denúncia chegou a ser investigada, mas o inquérito foi arquivado quando foi comprovado que não houve crime de extorsão. O iG teve acesso a uma cópia do inquérito, que diz claramente que “o Monsenhor Luiz Marques Barbosa afirmou que NENHUM dos ex-coroinhas chegou a lhe EXIGIR indevida vantagem para que as filmagens contidas no DVD não fossem divulgadas” [destaques do relatório]. O oferecimento do dinheiro partiu do religioso.

Nesta terça-feira, também serão ouvidas as testemunhas requeridas pela acusação: a delegada do caso, Bárbara Arraes, e Alterman Lima, irmão e tio de vítimas dos padres, e a pessoa que procurou o jornalista Roberto Cabrini com o vídeo de monsenhor Luiz Marques.

A expectativa é de que todo o processo irá terminar com esta terceira audiência. As alegações finais dos advogados dos padres será feita por escrito e poderão ser entregues em cinco dias ao juiz. Ele terá mais 10 dias para se pronunciar. 

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