Audi: filha de Teixeira usa nome de Lula para pressionar

O empresário Marco Antonio Audi afirmou hoje em depoimento na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura que Valeska, filha de Roberto Teixeira, e o marido dela, Cristiano, usam o nome do presidente Lula para fazer pressões e defender seus interesses dentro do governo, principalmente em relação a servidores públicos do segundo e terceiro escalões. Audi reafirmou informação publicada na imprensa segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conhecido como Dindo entre os membros da família do advogado e empresário Roberto Teixeira, compadre do presidente e acusado de prática de tráfico de influência no processo de negociações que resultou na venda da Varig e da VarigLog.

Agência Estado |

Segundo Audi, Valeska, nas ocasiões em que usa o nome de Lula, costuma dizer que vai "passar o fim de semana na casa do 'Dindo'." Cristiano trabalha no escritório de advocacia de Teixeira e Lula é padrinho de seu casamento com Valeska. Acusado de ser "laranja" do Fundo Matlin Patterson, dos Estados Unidos, que comprou a VarigLog, Audi, que nega a acusação, repetiu para a comissão sua afirmação de que "Roberto Teixeira realmente faz chover", uma referência ao poder que o advogado e empresário consegue exercer no governo. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) reagiu à afirmação com ironia, dizendo que pediria a Teixeira para "fazer chover no Nordeste".

Valeska e Roberto Teixeira "são arrogantes por natureza", afirmou Audi. Ele disse que essa era a avaliação também do juiz Luiz Roberto Ayub, que conduziu o processo de falência da Varig e tinha "péssima" relação com o compadre de Lula. Audi disse ter ouvido de Ayub um desabafo em que este afirmou que Teixeira "era muito arrogante" e que, por isso, não falaria mais com ele.

Audi, desde que terminou sua exposição à Comissão de Infra-Estrutura, respondendo a perguntas de senadores, mas somente da oposição, principalmente do DEM e do PSDB. Os senadores governistas não apareceram na comissão para fazer perguntas. O petista Delcídio Amaral (MS) esteve na sala por alguns instantes, mas nada falou. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) é o único integrante de um partido governista que faz perguntas, mas ele não é um aliado do Palácio do Planalto. Os governistas adotam a tese de que o escândalo da venda da Varig e da VarigLog é um assunto restrito ao mundo das empresas privadas. Os demais senadores governistas não apareceram na comissão para fazer perguntas.

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