Atropelador diz que foi agredido durante prisão em SP

A defesa do promotor de eventos Fábio Pereira Melgar, de 29 anos, vai entrar na Justiça contra o Estado por ele ter sido ofendido e agredido por policiais militares no momento de sua detenção, na madrugada de anteontem. O anúncio aconteceu um dia após Melgar ter atropelado e provocado a morte do ajudante de sapateiro Adriano da Fonseca Pereira, de 20 anos, não ter prestado socorro e ser acusado de resistir à prisão, inclusive aplicando um soco em um dos policiais.

Agência Estado |

Ele foi solto após pagar fiança de R$ 1,2 mil.

Melgar supostamente teria atravessado o farol vermelho e atingido com seu carro a vítima - que era deficiente auditiva - na faixa de pedestres, em um cruzamento na zona leste da capital paulista. O promotor de eventos fugiu do local e foi perseguido por um taxista que viu a cena. No meio do caminho, o motorista avisou uma viatura da Polícia Militar (PM), que deteve o acusado no portão de sua casa. Segundo testemunhas e policiais, ele estaria embriagado.

Melgar fez o teste de dosagem alcoólica no Instituto Médico Legal (IML) e negou ter bebido. Até ontem o resultado não havia sido divulgado. "A Justiça não existe para nós. Só a justiça de Deus", disse Leandra Santos da Fonseca, de 33 anos, irmã do sapateiro. "O que me dói é saber que no próximo sábado o homem que matou meu irmão estará nas ruas com um carro novo e voltará a beber", diz.

Os policiais que participaram da ocorrência afirmaram em depoimento que foram ofendidos por Melgar, inclusive com palavras racistas. "Fui ofendido por ele quando o abordei. Ele me chamou de macaco, preto, pobre e que não tinha estudado, por isso eu era PM. E o boletim de ocorrência não foi registrado como racismo", reclama o soldado Manoel Almeida.

'Revanchismo'

Douglas Pereira Melgar, advogado e irmão do acusado , diz que o depoimento é fruto de "revanchismo" por parte dos policiais. "Eu avisei que iria processá-lo por ter agredido e jogado spray de pimenta quando ele já estava algemado. Alguns vizinhos assistiram a tudo e vão depor relatando essa história." O advogado diz que vai entrar com uma ação por ter havido abuso de autoridade, lesão corporal dolosa e para que seja instaurado processo administrativo para expulsão dos policiais.

Por meio de uma nota na noite de ontem, a defesa de Melgar nega que o promotor de eventos estivesse em alta velocidade no momento do acidente e que tenha ultrapassado o farol vermelho. O texto também volta a reforçar a tese de que ele deixou o local do acidente "por puro momento de tensão", pois sua companheira estaria ensanguentada. "Ao contrário do noticiado, o declarante nega ter desacatado e agredido policiais militares, apenas insurgiu-se contra o ato prisional levado a efeito de maneira violenta e humilhante", diz a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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