VENEZA, por Silvia Aloisi ¿ A atriz Natalie Portman apresentou seu trabalho de estréia como diretora no Festival de Cinema de Veneza nesta terça-feira: um curta-metragem sobre uma jovem que acompanha sua avó num encontro romântico.

Natalie Portman prestigia Veneza / AP

Exibido fora da competição na seção de curtas de Veneza, "Eve" traz os veteranos de Hollywood Lauren Bacall e Ben Gazzara como a avó espirituosa e o viúvo que a leva para jantar. As primeiras críticas do filme estão sendo positivas.

Portman, de 27 anos, disse que sempre foi fascinada pela geração mais velha e que a inspiração da personagem de Bacall veio de sua própria avó.

"O filme foi inspirado por minha experiência pessoal e também a de minhas amigas que começaram a definir-se em relação e reação a suas mães e avós", disse a atriz indicada ao Oscar em entrevista coletiva.

Tendo começado a atuar ainda criança, Portman disse que há tempos queria trabalhar do outro lado da câmera e que vai apresentar um segundo curta no festival de cinema de Toronto, que vai começar esta semana.

"Nós, atores, temos tanto tempo livre entre um filme e outro que a gente tende a ficar inquieto e a buscar uma saída para nossa energia criativa. E o trabalho de ator nem sempre satisfaz essa necessidade", disse ela. "Trabalho com cinema há 16 anos. Foi muito instigante entender o que vive um diretor e poder criar algo inteiramente meu."

"Quando você é ator, é claro que cria alguma coisa, mas trabalha para realizar a visão de outra pessoa. Em última análise, é a criação de outra pessoa. Ter autoria é um trabalho mais adulto", disse ela.

Portman disse também que conseguir chamar Lauren Bacall para seu filme representou a realização de seu "sonho mais improvável". "É muito instigante ver alguém com tanta experiência e tanta sabedoria atuando", disse ela. "É algo raro."

Natalie Portman ficou famosa ainda adolescente no papel de uma garota que fica amiga de um matador profissional em "O Profissional", sucesso de Luc Besson de 1994. Ela foi Padme no segundo filme da trilogia "Star Wars" e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Closer ¿ Perto Demais."

Personagens estranhos, mas verdadeiros

Portman acabou de gravar "Brothers", remake de um filme homônimo dinamarquês. Entre seus projetos futuros, a atriz pretende adaptar para as telas o romance "De Amor e Trevas", do escritor israelense Amós Oz. "Vi a minha passagem para a direção como um trabalho de gente grande. Se as coisas dão errado, a culpa é sempre toda do diretor. Estava um pouco aterrorizada", confessou a atriz. "Fiquei atenta sobretudo aos personagens, queria que eles fossem verdadeiros e estranhos, como todos nós somos na vida real."

Também ajudou o fato de ter trabalhado com grandes diretores, como Mike Nichols e Wes Anderson, mas sobretudo Anthony Minghella, que morreu em março deste ano.

"Ele morreu um dia antes do começo das filmagens. Estava desolada, mas meus amigos me disseram que o curta poderia se a melhor maneira de homenageá-lo. Foi talvez o maior diretor de atores, no set sabia o nome dos filhos de todos, tratava cada um com graça e gentileza. Procurei fazer como ele", disse a atriz, que trabalhou com o diretor britânico em "Cold Mountain".

* Com informações da Reuters e Ansa

Leia mais sobre: Natalie Portman , Festival de Veneza

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.