Atrasos provocam tumultos no Rio no 1º dia do Enem

Atrasos e documentos vencidos impediram alunos de fazer a prova do Enem hoje no Rio e provocaram confusão. Na Gávea, na zona sul, pelo menos 18 alunos não puderam fazer a prova no câmpus da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Ri o) porque apresentaram documentos com prazo de validade vencido e tiveram de deixar as salas.

Agência Estado |

Houve tumulto na retirada. Estudantes que chegaram atrasados se juntaram ao grupo e fizeram um protesto na porta da universidade. Inconformados, cerca de 30 jovens fizeram registros na delegacia do bairro (15º DP) e prometeram ir à Justiça contra os organizadores da prova.

A maior parte dos atrasados na região metropolitana do Rio culpou a forte chuva, que provocou muitos engarrafamentos. Em Madureira, na zona norte, a Polícia Militar foi chamada para impedir que o bate-boca de alunos retardatários com os organizadores da prova no câmpus da Universidade Estácio de Sá virasse um quebra-quebra.

No câmpus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, pelo menos 30 pessoas chegaram atrasadas e culparam um incidente de trânsito que havia ocorrido nas proximidades momentos antes. Segundo eles, uma pedra foi arremessada de uma passarela num ônibus, paralisando o trânsito.

Emerson de Araújo, de 35 anos, chegou menos de um minuto após o fechamento do portão. Em vão, gritou muito implorando para entrar. Perdeu a chance de disputar vaga para direito ou educação física. "Estudei muito e atrasei segundos. Fui muito prejudicado pelo adiamento. Na prova que vazou, eu faria o exame do lado da minha casa em Jacarepaguá (zona oeste) e hoje me jogaram do outro lado da cidade", reclamou.

Eliana Pereira da Silva, de 41 anos, queria tentar serviço social, mas chorou tanto ao ver o portão fechado, que nem conseguia falar. Grávida de seis meses, Bruna Laila Porfírio, de 21 anos, chegou a correr entre o ponto de ônibus e o portão, mas também não conseguiu entrar. "A gente é obrigado a compreender a sacanagem que eles fazem com a gente, mas eles não compreendem nossa situação", disse. Ela também se queixou da alteração do local de prova.

Em Niterói, policiais militares tiveram de conter a mãe de um aluno atrasado que não se conformava com o portão fechado de outra unidade da Estácio. Muitos pais se queixaram de falta de precisão sobre o endereço da prova, já que havia outro edifício da universidade na mesma rua. Disseram que chegaram com os filhos a tempo, mas entraram no prédio errado. Como não foram acompanhados por fiscais, viram os portões se fecharem enquanto se deslocavam entre uma unidade e outra. Houve tentativa de arrombamento de portões e confusão com seguranças.

Alguns estudantes procuraram a delegacia de Niterói (76º DP), mas os policias não fizeram registros. Em Duque de Caxias, alunos atrasados disseram que receberam cartões com os endereços incorretos dos locais de provas.

Com as salas de aula de Brejetuba e Itatiba debaixo d'água, as provas do Enem foram adiadas para janeiro nas duas cidades da região serrana central capixaba. Com as fortes chuvas dos últimos dias, as principais ruas das cidades foram alagadas pela cheia do Rio São Domingos. A região foi declarada área de calamidade pública. Os cerca de 160 alunos inscritos no Enem deverão fazer as provas nos dias 5 e 6 de janeiro, quando o exame será aplicado a presidiários.

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