Atores e cantores fazem campanha pelo clima antes da Cúpula de Copenhague

Moby e Backstreet Boys farão shows, Milla Jovovich, Marion Cotillard unirão vozes numa canção: as ONGs convocaram os astros e estrelas da música e do cinema para mobilizar a opinião pública e pressionar os dirigentes antes da Cúpula do Clima em Copenhague.

AFP |

Na segunda-feira, dia da inauguração da Cúpula da ONU sobre o Clima, não haverá apenas negociadores e cientistas pelas ruas da capital dinamarquesa, mas também muitas boys bands.

Os americanos Backstreet Boys, que venderam 76 milhões de discos, farão um show organizado pela Comissão Europeia. O órgão se aliou à MTV para divulgar as ações da Europa em favor do clima e sensibilizar os jovens.

Para falar aos jovens, eles recrutaram embaixadores mais acostumados aos cenários de shows do que a seminários ecológicos: o papa da música eletrônica Moby, o Metallica, Natalie Imbruglia, The Offspring, todos participam desta campanha.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu a quase 60 astros e estrelas (Lily Allen, Marion Cotillard, Mélanie Laurent, Milla Jovovich) que fizessem uma "petição musical" em favor do clima. E esta reprise da música "Beds are Burning" foi lançada com grande pompa na Fashion Week, em Paris.

Para seu apelo a um ultimato climático, o Greenpeace França e quase dez ONGs também recorreram às estrelas francesas, em um show com Yannick Noah, Zazie e o grupo Tryo, para 6.000 pessoas.

"Este tipo de iniciativa atinge mais além do público militante, que já está acostumado a nos ouvir. Precisamos agir em diferentes níveis para mobilizar o público", explicou Karine Gavand, encarregada da campanha do clima no Greenpeace França.

Em um mundo saturado de informações e onde a comunicação é rainha, o objetivo é também impor sua voz nas mídias.

"Nicolas Sarkozy é muito forte para discursos encantadores e temos dificuldades para mostrar que as decisões e as posições adotadas pela França não estão nada à altura. Uma ferramenta como este show nos permite transmitir uma mensagem ao grande público, que é difícil de transmitir sem canais assim tão fortes como este", acrescentou Gavand.

A ideia não é nova. Da música do Band Aid para a Etiópia ao comprometimento de George Clooney com Darfur, as estrelas são sempre usadas como catalisadores de um movimento. E alguns, como Bono ou Bob Geldof, tornaram-se interlocutores privilegiados dos chefes de Estado, através de seu grupo de pressão para a África, o One.

"Mas isso funciona porque em 25 anos Bono e Bob Geldof adquiriram uma credibilidade e um conhecimento no assunto que podem conversar seriamente com os dirigentes", explicou à AFP Oliver Buston, diretor do One para a Europa.

Se o meio ambiente ainda não encontrou seu Bono, estrelas como Leonardo di Caprio ou Robert Redford viraram figuras de uma indústria do espetáculo que começa a se questionar sobre estas práticas.

Assim, o grupo britânico Radiohead fez um balanço do carbono gasto em sua turnê, a sétima temporada da série americana "24 horas" reduziu em 43% suas emissões de CO2, e muitos festivais de música trocaram os copos plásticos por recicláveis.

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