O ator Malden Sekulovich, que ficou conhecido como Karl Malden, morreu ontem aos 97 anos, em Los Angeles. Segundo o comunicado da família, morreu de causas naturais, pacificamente.

Vencedor do Oscar de coadjuvante de 1951, por "Uma Rua Chamada Pecado", Malden se tornara conhecido na Broadway, onde interpretou, entre outras peças, justamente a de Tennessee Williams que transformou Marlon Brando em astro, "Um Bonde Chamado Desejo". Antes de pisar nos palcos da Broadway, Karl Malden frequentou o Actor’s Studio, onde foi ator de Elia Kazan - seu descobridor no teatro e cinema - e Lee Strasberg.

Se tivesse sido um astro e não o grande coadjuvante que foi, Karl Malden poderia ter sido considerado mais um garoto propaganda do ‘método’, a americanização das teorias de interpretação do russo Stanislavski, que Kazan e Strasberg impuseram a toda uma geração de atores americanos, no fim dos anos 40 e durante os anos 50. Marlon Brando, Montgomery Clift, James Dean, foram todos os ‘Kazan’s boys’, propagandistas do método.

Desde 1944, ele já vinha aparecendo esporadicamente em filmes, mas o próprio Malden gostava de situar sua verdadeira estreia em 1947, quando fez seu primeiro filme com Kazan, "Boomerang", lançado no Brasil como "O Justiceiro". Quatro anos depois, de novo com Kazan, ganhou o Oscar por seu papel como Mitch em "Uma Rua Chamada Pecado". Mitch é o possível pretendente de Blanche Dubois, a mítica personagem interpretada por Vivien Leigh que vai se hospedar na casa da irmã Stella, casada com o “selvagem” Kowalski (Brando).

Com Kazan, Karl Malden fez mais dois filmes - "Sindicato de Ladrões", como o padre que apoia Terry Malloy, o personagem de Brando, quando ele desafia a lei do silêncio nas docas, e depois Baby Doll, outra adaptação de Tennessee Williams, com Carroll Baker no papel da garota tentadora. No Brasil, o filme sugestivamente se chamou "Boneca de Carne". A filmografia de Karl Malden oferece uma impressionante sucessão de bons filmes, assinados por diretores como Henry King (o western "O Pistoleiro"), Otto Preminger ("Passos na Noite"), King Vidor ("A Lei do Desejo"), Alfred Hitchcock ("A Tortura do Silêncio"), Delmer Daves ("A Árvore dos Enforcados"), John Frankenheimer ("O Homem de Alcatraz"), John Ford ("Crepúsculo de uma Raça"), Franklin J. Schaffner ("Patton, Rebelde ou Herói?"). Marlon Brando fez dele seu oponente no único filme que dirigiu, o poderoso western "A Face Oculta", em 1960. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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