Ato no Rio alerta para 4 mil assassinatos que ocorrerão no segundo semestre

RIO DE JANEIRO ¿ O Movimento Rio de Paz realiza ato público, nesta sexta-feira, na Praia de Copacabana, zona sul do Rio, alertando a sociedade civil e as autoridades federais e estaduais para os números de assassinados no Estado. De acordo com os organizadores da iniciativa, quatro mil mortes violentas ocorrerão no Rio somente no próximo semestre.

Redação |

Dessa vez, ao invés de alertar sobre o que ocorreu, como foi feito nos últimos atos realizados no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília, a estratégia do movimento é denunciar o que está para acontecer.

Temos ido às ruas para lamentar as mortes ocorridas. Agora, precisamos fazer um alerta para o que pode acontecer. Se as estatísticas dos últimos 16 anos se repetirem, veremos mais quatro mil cidadãos fluminenses assassinados no próximo semestre, explica o coordenador do Rio de Paz , o biólogo Antônio C. Costa.

O protesto, que está sendo chamado de Os 4.000 que estão para morrer: quem os salvará?, emitirá um sinal de alerta sobre o que poderá acontecer no segundo semestre de deste ano, caso o governo não tome providências emergenciais na área da segurança. 

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Varal de rosas em Copacabana (2007)
Representando a estimativa de assassinatos no Estado do Rio nos próximos seis meses (projeção feita a partir dos números do Instituto de Segurança Pública e Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), quatro mil balões vermelhos biodegradáveis, contendo gás hélio, serão fixados nas areias de Copacabana, simbolizando o sangue dos cidadãos que serão vítimas da violência até o fim de 2008.

Os organizadores da manifestação, que acontece das 6h às 11h em frente à Avenida Princesa Isabel, exigirão um posicionamento das autoridades públicas sobre o iminente massacre humano. O Manifesto pela Redução de Homicídio no Brasil, que já conta com mais de dez mil adesões, será encaminhado ao secretário de segurança, José Mariano Beltrame, e ao governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

O Estado do Rio tem enfrentado o drama de enterrar anualmente oito mil pessoas vítimas de homicídio. Se somarmos a essa estatística o número de cidadãos fluminenses assassinados, mas que constam na lista de desaparecidos (4.633 no ano passado), essa cifra pode chegar a mais de dez mil homicídios, disse Costa.

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Manifestação "Mar de Lágrimas", em Brasília
Segundo o coordenador do movimento, policiais e pesquisadores no campo da segurança pública têm afirmado que, provavelmente, cerca de 70% dos casos de desaparecimento resultam de assassinatos. Isso significa que até o final do ano pelo menos quatro mil seres humanos terão a vida ceifada de uma forma ou de outra no Rio.

De acordo com Antônio Costa, foram ouvimos moradores de diversas comunidades do Estado em um trabalho de campo. Descobrimos que há cemitérios clandestinos, valas onde são jogados corpos e carros que passam por regiões de Niterói, um chamado carro da lingüiça, que leva as pessoas para serem assassinadas, disse o organizador.

Os números não mentem, estamos lidando com dados do próprio Estado e mostram que há muito tempo a polícia não mata tanto. E a sua ação indiscriminada, que acaba matando muito inocente, não tem impedido que o número de homicídios dolosos pare de crescer. A palavra que sintetiza o que estamos vendo no Rio é ingovernabilidade, disse.

Costa alegou que o nosso governador não tem condições de governar o nosso Estado no campo da segurança pública. Não por incompetência, mas por falta de recursos. Precisamos do apoio do governo federal, de uma polícia mais treinada, mais bem paga.

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