Ataque a índios em Mato Grosso do Sul será investigado pela PF

Quatro índios estão em estado grave. Polícia suspeita de disputa entre aldeias locais. Para cacique, atentado foi feito por fazendeiros

Helson França, iG Mato Grosso |

O atentado contra 30 índios da etnia Terena ocorrido na madrugada de sábado (04) no município de Miranda, a 200 quilômetros de Campo Grande, passará a ser investigado pela Polícia Federal. Na ocasião, seis pessoas, incluindo o motorista, que estavam num ônibus escolar em movimento, sofreram queimaduras depois que uma bomba caseira foi arremessada contra o veículo.

Das vítimas, quatro se encontram em estado grave e seguem internadas na Santa Casa de Campo Grande. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Tiago Macedo, a investigação é agora atribuição da Polícia Federal, pois o crime atingiu os direitos dos índios.

Reprodução Google Maps
Miranda fica a 200 quilômetros de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul

A motivação do atentado aos indígenas ainda é desconhecida. O delegado afirmou ainda que não descarta a possibilidade do crime ter sido praticado por algum índio, em razão de rixas entre aldeias, pois na região há um histórico de conflitos entre os indígenas.

Já o cacique Adilson Terena acredita que o ataque foi planejado por fazendeiros - em razão dos recentes casos de disputas de terras envolvendo produtores rurais e indígenas no município.

Em março deste ano, os Terena ocuparam duas fazendas em Miranda, uma delas a fazenda Petrópolis, do ex-governador do Estado, Pedro Pedrossian. Após decisão da Justiça, a polícia retirou os índios da propriedade.

Macedo afirmou que, até o momento, não possui elementos suficientes para confirmar nenhuma das versões apresentadas. Segundo ele, é prematuro emitir um juízo de valor a esse respeito. O único ponto certo é que “o autor do crime estava escondido na mata, às margens da estrada, em atitude de emboscada”, explicou.

O ônibus voltava da escola e seguia em direção às aldeias, quando foi atingido frontalmente por uma garrafa com líquido inflamável (possivelmente um coquetel molotov). Macedo também contou que pedras foram encontradas no interior do veículo. Segundo testemunhas, elas foram arremessadas contra o ônibus pelos próprios passageiros, que após se salvarem, tentaram quebrar as vidraças possibilitando o salvamento dos demais estudantes.

O ataque aconteceu na região conhecida como Cachoeirinha, onde vivem por volta de seis mil índios Terena, distribuídos em seis aldeias.

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