Associações negociam com a Prefeitura de SP restrições aos fretados

SÃO PAULO ¿ Cerca de 70% das empresas de fretamento do Estado de São Paulo devem fechar caso a restrição à circulação dos ônibus fretados no centro da capital paulista se confirme. A previsão é do diretor da associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento e Turismo de São Paulo (Assofresp), Geraldo Maia, que preside também a Associação dos Executivos de Ônibus Fretados da Zona Leste de São Paulo (Assexlest). Para reverter este quadro, associações e políticos se encontram, nesta quarta-feira, com o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, a fim de discutir alternativas às restrições.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

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Foto do último encontro das associações
Uma portaria da Prefeitura de São Paulo prevê a proibição, a partir do dia 27 de julho, da circulação de fretados uma área de 70 km², que inclui as avenidas Paulista, Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Para chegar aos seus destinos, os passageiros passariam a fazer integrações com o sistema de transporte público. Assim, a prefeitura considera que 650 fretados deixarão de circular no centro da cidade.

Segundo a Secretaria dos Transportes, serão criados 13 pontos de embarque e desembarque onde será possível fazer integrações com o metrô, os trens da CPTM, além de algumas linhas especiais de ônibus. O objetivo é melhorar a fluidez do trânsito nos principais corredores da cidade, diz nota da Secretaria.

Para as associações, no entanto, a medida só terá efeito inverso, piorando ainda mais a vida do motorista. Temos estudos que mostram que cada fretado em circulação retira em média 20 veículos das ruas. Com a retirada deles, não vamos contribuir nem para a melhoria do trânsito, nem para a poluição ambiental, argumenta o deputado Paulo Alexandre Barbosa (PMDB), que participará da reunião.

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Empregos a menos, carros a mais

De acordo com Maia, uma pesquisa feita com passageiros das 20 associações de fretados do Estado mostra que 70% deles optariam por seu automóvel particular caso a restrição entre em vigor. Com isso, ele avalia que até 70% das empresas de transporte e fretamento podem ser fechadas, colocando em torno de 20 mil pessoas nas ruas. Com o agravante de que grande parte dos ônibus que circulam hoje são financiados. Se as empresas fecharem, como os donos vão pagar as dívidas? Vai gerar um transtorno no sistema financeiro, crê.

O deputado Paulo Barbosa, de Santos, considera ainda a possibilidade das empresas dispensarem candidatos do litoral a favor daqueles que moram mais próximo. A intenção da prefeitura é positiva, mas nossa preocupação é com os milhares de usuários que têm família e certamente ficarão ameaçados com a medida, afirma, acrescentando querer garantir o deslocamento dessas pessoas. Para eles, o atual transporte público da cidade não tem condições de absorver estes novos passageiros. 

Propostas

Às medidas propostas pela Secretaria de Transportes, as associações propõem alternativas. Uma das ideias, conforme o deputado, é limitar a apenas dois os pontos de parada em vias como a Faria Lima e a Berrini, ao invés de proibir completamente a circulação. Tem avenidas que os ônibus chegam a parar sete vezes. A melhor sugestão é disciplinar e multar aqueles que pararem fora dos pontos estabelecidos, diz.

Contra a poluição, as associações sugerem que ônibus com mais de 15 anos sejam retirados de circulação. Além disso, pedem, primeiramente, que o prazo do 27 de julho seja prorrogado para que novas alternativas sejam discutidas.

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A área em que fica restrita a passagem dos fretados está marcada em azul

A polêmica

A polêmica começou no dia 3 de junho quando foi apresentado o projeto de lei 530/08, que trata da política de mudança do clima na cidade. Após pressão das empresas, a questão dos fretados ficou de fora. Porém, foi determinado que o Executivo teria 60 dias para enviar um projeto de lei regulamentando o setor.

No último momento, foi incluído no projeto que a Secretaria de Transportes poderia fazer a regulamentação por meio de uma portaria até que a lei fosse aprovada.

Por meio de nota, a Secretaria diz que está aberta à discussão com as empresas e que a restrição aos fretados pode sofrer aperfeiçoamentos. A Prefeitura e a Secretaria estimulam o debate e estão analisando as sugestões recebidas. O secretário vai receber a comitiva hoje para ouvir as propostas, que serão analisadas, e as boas podem ser aproveitadas", afirma.

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