Associação vai fazer campanha sobre riscos de suplementos

O uso indiscriminado de suplementos alimentares preocupa tanto que a Associação Brasileira de Academias de Ginástica (Acade) lançará nos próximos meses uma campanha sobre esses produtos. A ideia é distribuir cartazes e folhetos nas academias de ginástica, muitas delas também ponto de venda dessas substâncias.

Agência Estado |

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 62% dos jovens entre 15 e 25 anos que frequentam academias na capital paulista consomem algum tipo de suplemento alimentar. Mais de 80% deles, sem recomendação médica ou nutricional.

De acordo com o presidente da Acade, Cláudio Albuquerque, especialista em medicina do esporte, quem faz exercícios duas a três vezes por semana não precisa de suplementação alimentar. “Existe uma precipitação das pessoas em repor algo que o organismo não está pedindo. Se ela caminha 40 minutos, não precisa de isotônico. Água é suficiente.” Ele ressalta que o uso de suplemento precisa de orientação profissional. “Eles são indicados para atletas e para quem tem dificuldade em obter alguma substância em sua refeição diária, mas o suplemento não substitui alimentação.”

Pelo contrário, as substâncias mais usadas - proteínas, aminoácidos, maltodextrina, vitaminas e minerais, creatina e queimadores de gordura (fat bunner, em inglês, como é mais conhecido) - além de não substituírem uma refeição equilibrada, trazem problemas quando ingeridos sem controle.

Uma das substâncias populares entre os homens, a creatina, é um componente celular que fornece energia para o músculo quando ele precisa de movimento rápido. O problema é que a ingestão em excesso dessa substância faz com que o músculo retenha água. “A pessoa passa a reter água no músculo, ele fica inchado e dá impressão de que aumentou a massa muscular, por isso os jovens tomam”, diz a nutricionista Márcia Daskal, autora da pesquisa da Unifesp. “Com isso, a pessoa acumula mais resíduos tóxicos e sobrecarrega os rins”, explica.

A nutricionista Daniela Silveira, da Unifesp, afirma que, quando conta isso para seus pacientes, eles ficam surpresos. “Eu digo: ‘Já que você está tomando isso, vamos colocar logo seu nome na lista de transplante de rim, para garantir no futuro’”, conta ela. “O exagero de proteína é um problema. Os garotos ingerem proteína e cortam carboidrato, sem saber que, sem fonte de energia, o organismo não vai mandar a proteína para o músculo.”

Simone Iwasso e Marcela Spinosa

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