A Associação Imobiliária Brasileira (AIB) estuda declarar perante o Ministério Público Eleitoral que não fará mais doações de campanha. A entidade que representa os interesses do setor imobiliário ganhou notoriedade nas últimas eleições por figurar entre os maiores financiadoras de campanha em 2008 - foram R$ 2,94 milhões apenas a 26 candidatos vitoriosos da capital.

Somando as doações aos candidatos derrotados e àqueles que concorreram em outras cidades - 44 políticos no total -, o montante chega a R$ 4,43 milhões, conforme revelou o Jornal da Tarde em 3 de março.

O advogado da associação, Vitorino Francisco Antunes Neto, ex-juiz eleitoral, diz não ver irregularidades. “A AIB faz doações eleitorais desde 1987 e nunca foi alvo de questionamentos”, pondera o defensor. “Mas, diante de toda essa repercussão, a ideia é não fazer mais.” O advogado afirmou que já se reuniu com o promotor eleitoral Maurício Antônio Ribeiro Lopes, responsável pelas investigações, para definir de que forma a entidade se declararia fora das próximas campanhas.

“Para a associação, o único efeito disso seria se livrar de uma eventual sanção, como multa”, explica Antunes Neto. O advogado frisou ainda que a entidade jamais foi usada pelo setor imobiliário para driblar a legislação eleitoral, como suspeitam técnicos e especialistas em eleições. A Lei Eleitoral proíbe contribuições de sindicatos. “Isso é leviano, não existe. Nenhum tostão doado pela AIB saiu do sindicato”, afirma.

O Ministério Público Eleitoral vai pedir a impugnação das contas de campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e de 46 dos 55 vereadores. A investigação aberta após as eleições de 2008 encontrou irregularidades - de doações proibidas pela lei ao uso de notas fiscais falsas em uma prestação de contas entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Se condenados, os envolvidos podem ficar inelegíveis. A investigação atinge ainda 30 doadores de campanha, entre empresas, concessionárias de serviços públicos e associações, entre elas a AIB. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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