Associação de delegados não acredita que afastamento enfraquecerá operação da PF

RIO DE JANEIRO - O presidente da Comissão de Prerrogativas da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF), delegado Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, disse não acreditar que as investigações da Operação Satiagraha - que apura o envolvimento do banqueiro Daniel Dantas com crimes de lavagem de dinheiro ¿ acabem enfraquecidas com a saída do delegado Protógenes Queiroz, um dos responsáveis pela ação.

Redação |


Não acredito que em nenhum momento ocorra prejuízo, porque qualquer delegado que venha a substituir o Protógenes vai atuar com a mesma dinâmica, mesma independência e mesmo compromisso e entregar o resultado que a sociedade espera, até porque a Satiagraha é uma operação feita por uma equipe de delegados, todos comprometidos, disse.

De acordo com a PF, Queiroz tem mais de dez anos de carreira e deixou o inquérito para se dedicar a um curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, que garantirá uma promoção para delegado especial da corporação. O procedimento, segundo Leôncio, é normal. Nossa carreira é formada de classes, da terceira classe até a especial. Todas as vezes que alcançamos determinado tempo empregados, somos obrigados a fazer o curso, explica.

Segundo ele, a saída de Protógenes já estava definida de acordo com um calendário estipulado no ano passado, pois o curso é uma exigência legal da corporação. O delegado fez a primeira fase do curso a distância e entre os dias 21 de julho e 22 de agosto é necessária a participação presencial sendo obrigado a se afastar do inquérito.

A associação manteve contato com a direção geral da PF para saber exatamente o que é fato e o que é especulação. Nossa regional em São Paulo está acompanhando o caso e por enquanto temos percebido que existe muito mais especulação do que verdades em relação a saída dele, pontuou Leôncio, garantindo que não existe mais clima e que a PF alcançou maturidade suficiente para anular possíveis pressões externas.

AE
Queiroz pediu afastamento da Polícia Federal
De acordo com a PF, os outros dois delegados - Carlos Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza - continuam no caso, ao contrário do que tem sido divulgado. Segundo o Jornal Nacional, eles devem deixar o cargo na próxima segunda-feira.

Queiroz teria feito o pedido diretamente ao diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Roberto Troncon.

Segundo a assessoria da instituição, o curso seria de atualização profissional obrigatório para todos agentes federais que completam 10 anos de serviço. O curso exigiria dedicação exclusiva e o delegado alega que não teria tempo para se dedicar ao caso.

Críticas e elogios

Principal responsável pela Operação Satiagraha - que investiga crimes de corrupção, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas -, Protógenes vem recebendo críticas de parlamentares e de membros do STF, que acreditam que os procedimentos usados pelo delegado, como o uso de algemas, seriam muito duros.

De outro lado, Queiroz vem recebendo elogios de juízes e de boa parte da opinião pública pelas investigações que vem fazendo colocando na cadeia figuras como o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

O delegado já esteve à frente de outros casos polêmicos e de grande repercussão nacional como a prisão do comerciante chinês Law King Chong, considerado pela polícia um dos maiores contrabandistas do País. Queiroz foi ainda responsável pela prisão preventiva de Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, e do filho dele, Flávio Maluf, acusados de enviar dólares para o exterior ilegalmente.

Férias

A assessoria da Polícia Federal confirmou ainda que o diretor da instituição, Luiz Fernando Correa, entrou em férias nesta segunda-feira. No entanto, a assessoria ressalta que as férias, de uma semana, já estavam programadas e não têm relação com o pedido de afastamento do delegado Queiroz.

As férias de Corrêa não devem prejudicar as investigações do caso, segundo a assessoria da PF, que afirmou ainda que o diretor deve acompanhar os desdobramentos da operação durante o período.

Queixas

Nos bastidores, o delegado Protógenes Queiroz tem se queixado de que vem sofrendo boicote sistemático na instituição desde que o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, tomou posse no cargo, em setembro passado, no lugar do delegado Paulo Lacerda, que foi deslocado para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Acusado de não ter dado satisfações da operação aos superiores, de agir com excesso de individualismo e de recorrer irregularmente ao auxílio da Abin, entre outros "desvios", Protógenes Queiroz é alvo de uma sindicância administrativa e uma representação na Corregedoria da PF, que podem render de advertência à remoção do delegado para um lugar remoto ou mesmo um processo de demissão.

Leia também:


Leia mais sobre:  Humberto Braz  - Daniel Dantas

    Leia tudo sobre: pf

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG