Ela é pernambucana de nascimento, mora na Paraíba, mas está em São Paulo por tempo indeterminado. A professora de Geografia Alessandra Bezerra Rafael, 32 anos, não está em férias nem a trabalho na capital paulista.

Está à espera de um transplante duplo de rim e pâncreas. Junto com pessoas de outros Estados, está hospedada em um sobrado na Vila Mariana, zona sul, que tem capacidade para até 10 pacientes.

A casa de Alessandra nesses meses de espera é a Associação para Pesquisa e Assistência em Transplante (APAT). A entidade acolhe "migrantes" que esperam por um órgão ou já passaram por um transplante. Dados da Central de Transplante da Secretaria Estadual de Saúde apontam que 9,3% das 15 mil pessoas que aguardam um órgão moram fora da capital paulista.

"O médico de Campina Grande me perguntou se teria coragem de arriscar e vir para São Paulo. Fiquei com medo, mas sabia que essa era a minha chance", diz Alessandra, que chegou no dia 9. É a 16ª da fila e não há previsão para a cirurgia.

Há 53 dias, desde que teve alta do hospital, Lídia Pires Rangel, de 44 anos, do Rio de Janeiro, mora na casa. Ela se submeteu a um transplante de pâncreas e rins. "Era a quinta na fila no meu Estado e fiquei nessa posição por sete, anos até que decidi vir para São Paulo", afirma.

Fase

A APAT foi criada em 2003 por uma equipe de médicos de transplantes de fígado, rim e pâncreas. "Eles percebiam que era muito complicado para os pacientes de fora, porque tinham de ficar em albergues sem as condições necessárias para recebê-los", conta a coordenadora da casa, Maria Alice Silva Ribeiro Coutinho. Ela ressalta que, apesar da distância de suas casas, os pacientes não se sentem tristes na entidade. "Eles sabem que é uma fase e que quando voltarem para seus Estados, estarão com saúde e poderão recomeçar suas vidas."

Todo paciente tem de ficar com um acompanhante, ambos recebem atendimento psicológico. A APAT vive de doações. Quem quiser contribuir deve ligar para o telefone (11) 5573-3052. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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