Assessor de Dias diz que recebeu dados de secretário

Em depoimento de cerca de três horas prestado hoje à Polícia Federal (PF), o assessor do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) André Fernandes informou ter recebido do demissionário secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, os dados sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Fernandes afirmou ao delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, que os dados vieram em duas mensagens anexadas num só e-mail, em 20 de fevereiro.

Agência Estado |

O assessor de Dias disse ter ficado perplexo com os dados, os quais considerou uma espécie de ameaça velada, e que os repassou ao senador, por dever funcional, reafirmando a versão que havia dado na semana passada. Amanhã, será a vez de Aparecido contar a própria versão. Em caráter sigiloso, o depoimento de Fernandes aconteceu na Superintendência da PF. Nem mesmo o advogado dele teve direito a ficar com cópia do depoimento.

Segundo Fernandes, os dados sobre os gastos do governo na gestão Fernando Henrique vieram em forma de planilha, dentro de um arquivo eletrônico. O assessor disse à polícia, conforme relato da defesa, que não pediu nada ao secretário demissionário de Controle Interno da Casa Civil e que ficou num misto de surpresa e preocupação. A planilha, conforme Fernandes, tem 28 páginas com informações referentes a dispêndios do ex-presidente. Além da pasta dedicada ao ex-casal presidencial, outras, com o nome de ex-assessores da administração FHC, como os ex-ministros da Secretaria-Geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira e Aloysio Nunes Ferreira. O assessor informou também que conhece Aparecido desde 1991, quando os dois trabalharam juntos no então governo paralelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A PF não deu por encerrado o episódio do suposto dossiê com a divulgação do laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que aponta o secretário demissionário de Controle Interno como autor do vazamento dos dados. O objetivo da PF agora é descobrir quem mandou fazer o dossiê e com que motivação, para estabelecer se houve crime. Nessa hipótese, os supostos autores podem ser indiciados por prevaricação e violação de sigilo funcional.

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