Assessor de Álvaro Dias diz ter mais denúncias contra o governo

BRASÍLIA - O assessor parlamentar André Fernandes rebateu, ainda durante o depoimento de José Aparecido, as afirmações que caracterizaram enormes contradições entre ambos na CPI mista dos cartões corporativos desta terça-feira (20). Além de ressaltar que nunca pediu emprego no governo e que não é ressentido por isso, Fernandes disse saber de cinco fatos relatados por Aparecido que incriminam Erenice Guerra, braço direito da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. E acrescentou que não quer uma acareação na CPI ¿ assim como o outro depoente.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

O assessor parlamentar do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) recebeu jornalistas em gabinete ao lado do plenário da CPI e destacou que o depoimento de José Aparecido foi recheado de mentiras, porque estava amparado num habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e porque o ex-amigo é muito comprometido com o governo e o PT.

André Fernandes procurou desmontar a principal tese dos governistas na CPI nesta terça, a de que ele é um ressentido por não ter conseguido um emprego no governo, após ter pedido um cargo ao então amigo José Aparecido em 2003, na montagem do governo Lula. Os governistas levaram para a CPI uma cópia impressa do e-mail no qual Fernandes enviou seu currículo.

Eu falei para ele [Aparecido] que não tinha a mínima chance, porque eu era do PSDB, mas mandei assim mesmo. O que isso tem a ver com o caso de agora? Se eu fosse pedir emprego a alguém, pediria ao Cristovam Buarque [então ministro da Educação], que é meu amigo, argumentou André Fernandes.

Outra contradição detectada pelos parlamentares, e esclarecida pelo assessor, foi o fato de ter recebido o dossiê como uma intimidação de José Aparecido, portanto de forma criminosa, e mesmo assim só ter comunicado a alguma autoridade 15 dias depois (ao senador Álvaro Dias).

Eu tinha que digerir o que era aquilo, e eu estava de férias. A lei não determina que eu tinha que sair correndo para denunciar. Entreguei quando achei que tinha que entregar ao senador, defendeu-se.

Denúncias

O assessor parlamentar também explicou porque não revelou em seu depoimento os cinco fatos graves a respeito do governo, fato pelo qual chegou a pedir aos membros da CPI uma sessão secreta (sem assessores e jornalistas) somente para falar sobre isso. Segundo André Fernandes, são denúncias graves contra Erenice Guerra feitas pelo próprio José Aparecido. Ele negou que isso fragilize sua posição uma vez que não contou à Polícia Federal, em depoimento na semana passada, tais denúncias.

São fatos que não tinham relação direta com os fatos apresentados [à PF e à CPI]. Eu queria colocar para o conhecimento de parlamentares e não me deram chance, disse, para depois acrescentar que só poderia falar em sessão secreta porque podia ser fofoca do Aparecido, podia denegrir imagem, isso me constrange. André Fernandes disse que falará sobre isso quando Aparecido falar a verdade.

Sobre a possibilidade de uma acareação na CPI com o ex-amigo, André Fernandes se mostrou contrário. Acho desnecessário, desgastante e inútil. Ele está como indiciado e tem um habeas corpus, enquanto eu sou obrigado a falar a verdade, justificou.


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