Os dados apresentados nesta terça-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levantados pelo Ibope mostram que os domicílios situados nos assentamentos estão em estado de extrema pobreza. São dados africanos, do Senegal, não são dados brasileiros, comparou o secretário-executivo do Instituto CNA, Marcelo Garcia, referindo-se ao rendimento de um quarto de salário mínimo, em média, por morador de assentamento.


A avaliação do secretário é a de que, mesmo com o recebimento da terra, o assentado continua excluído da sociedade. "Foi lhe dado uma terra, mas não lhe deram condições de produzir, de ir para a escola, de ter acesso à tecnologia, ao crédito", enumerou.

De acordo com o levantamento, a maioria dos moradores dos assentamentos é formada por homens (79%), possui entre 50 e 69 anos (38%) e instrução até a quarta série do ensino fundamental (47%) - 21% dos entrevistados foram classificados como analfabetos. Para 37%, a renda familiar é de até um salário mínimo; para 35%, mais de um a dois salários e, para 26%, mais de cinco salários - 1% dos entrevistados não respondeu a essa pergunta. A média do número de pessoas que moram na casa é de 4,3.

Numa comparação feita pelo Ibope com dados da renda nacional capturados em agosto deste ano com 2002 entrevistas, verifica-se que a situação é claramente pior no campo do que na cidade. Pela média brasileira, 17% das pessoas recebem até um salário mínimo; 33% mais de 2 salários e 46% mais de 2 salários - 4% dos entrevistados se recusaram a responder.

"Tenho uma composição de chefes de famílias nos assentamentos de analfabetos e sérios problemas de educação, o que compromete o rendimento", avaliou Garcia. "A média por domicílio, que está em situação de extrema pobreza, é de ganho menor de um quarto de salário mínimo por pessoa", continuou.

A situação só não é pior, de acordo com o secretário-executivo, porque 49% da renda dos assentados não estão associados à propriedade. Pelo levantamento do Ibope, 18% dos moradores de assentamento são trabalhadores assalariados com carteira assinada; 2% sobrevivem com seguro-desemprego; 24% recebem aposentadoria rural; 1% vive de pensão alimentícia e 4% recebem auxílio do Bolsa-Família.

Apenas 43% trabalham por conta própria nas terras e 8% possuem outras fontes de rendimento regular. "As pessoas em geral não trabalham em sua propriedade. Pode ser que exerçam atividade em outras propriedades ou até na cidade", analisou Garcia.

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