Assentados mantêm filhos em escolas itinerantes no RS

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveu uma série de protestos contra o fechamento das escolas itinerantes em diversas regiões do Rio Grande do Sul hoje, primeiro dia de aulas do ano na rede pública de ensino. Os sem-terra também anunciaram que os filhos dos acampados seguirão estudando com educadores populares, sem irem para as escolas da Secretaria da Educação.

Agência Estado |

Em Sarandi, 40 crianças tiveram aula na pista da BR-386. Em Santana do Livramento e em Taquaruçu do Sul as lições foram repassadas aos filhos dos sem-terra em calçadas próximas às coordenadorias regionais de educação. Houve protestos semelhantes em Carazinho, Pelotas, Santa Maria, Canoas e São Luiz Gonzaga.

Por exigência do Ministério Público Estadual, o governo do Estado deixou de reconhecer, a partir deste ano, as escolas itinerantes que acompanhavam os acampamentos do MST para oferecer ensino fundamental aos filhos dos sem-terra. Em troca, se comprometeu a oferecer transporte e vagas em suas escolas fixas para todos os cerca de 600 filhos de acampados.

"Mesmo que a formação das escolas itinerantes não seja mais reconhecida, nossos filhos seguirão estudando nelas à espera de uma reversão da decisão desse governo que tenta criminalizar o movimento social", afirmou João Gonçalves, da coordenação estadual do MST. A Secretaria da Educação informou que as vagas na escola formal estão à disposição, mas que eventuais medidas para o comparecimento das crianças cabem ao Ministério Público. O procurador de Justiça Gilberto Thums disse que os pais das crianças que não forem à escola regular poderão ser responsabilizados por abandono intelectual e, no limite, podem perder seu poder familiar.

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