Assembléia do RJ cassa mais uma deputada

O plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) cassou hoje o mandato da deputada estadual Renata do Posto (PTB), acusada de envolvimento num escândalo de contratação de funcionários fantasmas e fraudes no auxílio-educação oferecido aos servidores da Casa. Além dela, a Alerj já havia determinado hoje a cassação de outra deputada, Jane Cozzolino (PTC), pela mesma acusação.

Agência Estado |

Os deputados ainda votarão hoje o pedido de cassação de Tucalo (PSC) e João Peixoto (PSDC), além da suspensão temporária do mandato de Édino Fonseca (PR). Outros dois deputados envolvidos no escândalo foram absolvidos pelo Conselho de Ética da Casa, que já investiga outros seis parlamentares.

Apesar das sucessivas denúncias de corrupção e enriquecimento dos parlamentares que marcaram a Assembléia do Rio nos últimos anos, essa é a primeira vez em uma década que parlamentares perdem mandato. Os deputados começaram a ser investigados pelo Conselho de Ética da Casa em janeiro, depois de denúncias de pessoas aliciadas com a promessa de que seriam incluídas no cadastro do programa federal Bolsa Família.

Com os documentos, os aliciadores nomeavam "laranjas" nos gabinetes com salários baixos. Eles davam preferência por mães e pais de muitos filhos, porque a Alerj oferece a seus servidores o chamado auxílio-educação, de R$ 450 para cada criança. O benefício era o principal alvo da quadrilha. Há aliciados que tinham até 12 filhos, mas recebiam apenas uma pequena participação por meio de intermediários. Outros nem sabiam que eram empregados da Alerj e tinham filhos matriculados em escolas particulares fantasmas. Descobriram depois que seus nomes também foram usados em empréstimos e crediários.

A deputada Renata do Posto, que foi cassada com 50 votos dos 67 parlamentares presentes, disse que vai buscar a Justiça. No gabinete dela, 17 funcionários fantasmas recebiam o auxílio-educação. O presidente do Conselho de Ética, deputado Paulo Melo (PMDB), negou que o processo tenha sido acelerado e que haja falta de provas para as condenações. "Eu fui a campo. Vi gente miserável sem ter o que comer em casa, com a geladeira vazia e as crianças chorando de fome, e com o seu contracheque de R$ 4.500. Essa é a prova mais cabal que existe", disse Melo.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL), autor da denúncia, comemorou as cassações. "A defesa foi garantida e esse plenário deu hoje um passo importante para que o 1º de abril não se consolidasse como o dia da mentira, e sim como uma inversão necessária e ética da casa. A imagem o Legislativo está muito deteriorada no Brasil inteiro. O Rio ganha com isso", disse.

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