Assassinato de Arthur Sendas pode ter sido encomendado, diz advogado da família

RIO DE JANEIRO ¿ O advogado da família Sendas, Nilo Batista, disse nesta quarta-feira que a hipótese do assassinato do empresário Arthur Sendas ter sido encomendado não pode ser descartada. Segundo ele, é possível que o motorista Roberto Costa Júnior tenha sido induzido ou contratado por alguém para cometer o crime.

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio |

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Eu acho que é completamente leviano abrir mão dessa hipótese, declarou Batista. Fechar a investigação agora é um erro e eu espero que o Ministério Público tenha a sensibilidade de enxergar que algo está errado.

O advogado da família disse não suspeitar de ninguém. De acordo com ele, Sendas tinha algumas disputas entre concorrentes, mas todas elas eram baseadas em critérios jurídicos e nenhuma era realmente séria.

Para Batista, se o crime foi realmente encomendado, Roberto corre riscos e pode ser morto como queima-de-arquivo. O motorista está preso em uma das carceragens da Polinter, na Pavuna, zona norte do Rio. É muito mais barato matar alguém dentro da prisão do que fora.

Paulo Toscano

Roberto se defende em depoimento à polícia

Segundo o advogado, na segunda-feira, por volta do meio-dia, ele conversou com o pai de Roberto no apartamento de Sendas e explicou que o filho dele corria sérios riscos, caso não se apresentasse à polícia. Horas depois, o motorista se entregou à 14ª DP (Leblon).

Ontem, o delegado adjunto da 14ª DP, Rafael Menezes, informou que o inquérito está "praticamente" concluído. Os investigadores ainda tentam precisar o tempo exato de permanência do motorista no prédio, pois as diferentes câmeras de vigilância do prédio mostram horários diversos tanto para entrada, quanto para a saída.

Dificuldades financeiras

De acordo com Batista, a versão de que o motorista ficaria desempregado não deve ser levada em conta. Roberto dirigia para um dos netos de Sendas que se mudou temporariamente para os Estados Unidos, mas, no entanto, ele seria reaproveitado em outra função. Segundo Batista, o pai do motorista estava ciente dessa mudança de função que iria acontecer.

No dia do assassinato, Roberto teria ido ao apartamento do empresário pedir que ele não deixasse de pagar o salário mensal de R$ 2.200 durante os dois meses que o neto do empresário estivesse viajando. O motorista está com o nome no SERASA, no SPC e com mensalidades da escola do filho de três anos atrasada.

Ninguém se dirige para pedir dinheiro ao benfeitor dele próprio e da família à meia-noite com uma pistola automática, com a bala na agulha e o cano puxado, afirmou.

Tiro acidental descartado

A Polícia Civil do Rio descartou a hipótese de que o empresário Arthur

AE

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Sendas tenha sido morto por um disparo acidental. Segundo o órgão, todas as provas apontam para uma execução premeditada pelo motorista da família Roberto Costa Júnior.

De acordo com Rafael Menezes, delegado adjunto da 14ª DP (Leblon), o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) descarta a tese de tiro acidental apresentada pelo suspeito. No documento consta que a vítima estava em posição de defesa e o disparo foi efetuado a curta distância. Além disso, o depoimento de uma empregada indica que não houve discussão entre Roberto e Sendas.

Ele (o motorista) alega que o disparo foi acidental, mas os fatos e o laudo apontam para um crime intencional. Ele foi armado até a casa do empresário sem ter o porte de arma", disse o delegado.

O laudo atesta que o empresário, de 73 anos, perdeu o dedo indicador esquerdo ao tentar proteger o rosto do projétil que entrou pelo olho esquerdo e saiu pela nuca. A pistola usada pelo motorista no dia do crime está registrada em nome de Roberto na Secretaria de Segurança Pública (SSP). "Vamos apurar agora se ele preenchia os requisitos para possuir esta arma, afirmou Menezes.

Roberto, de 28 anos, será indiciado sob acusação de homicídio doloso (quando há intenção de matar) qualificado por motivo fútil, que tem pena prevista de até 30 anos de prisão. Orientado pelo advogado Antônio Félix, ele não prestou depoimento na 14ª DP e afirmou que falará apenas em juízo.

"Orientei meu cliente desta forma porque, após se entregar e falar com os jornalistas, ele ficou por duas horas trancado com o delegado José Alberto Pires Lage (titular da 14ª DP) em uma conversa informal. Isso não é normal e desgastou meu cliente", disse.

Habeas-corpus

O advogado informou que pretende entrar com um pedido de habeas-corpus em duas semanas e afirmou que a defesa sustentará que o disparo foi acidental e ocorreu durante uma discussão.

"Ele foi reivindicar que estava sendo mandado embora e não tenha sido bem recebido pelo Arthur, que o agrediu verbalmente. Os dois se desentenderam, a arma caiu e ambos tentaram pegá-la. Quando meu cliente puxou a pistola da mão do empresário, ela disparou", contou Félix.

*com informações da Agência Estado

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