As mulheres também disputam um lugar no pódio da igualdade nos JO

Ausentes nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna em 1896, as mulheres aos poucos foram conquistando seu espaço no maior evento do esporte mundial, até que há quatro anos constituíram 41% dos participantes, mas ainda há delegações sem representação feminina.

AFP |

Devido a isso, algumas organizações feministas denunciam que no evento continua existindo um "apartheid sexual".

Em Barcelona-92, 35 delegações não contavam com mulheres entre seus representantes. Esse número caiu para 29 em Atlanta-96. Em Sydney-2000 e em Atenas-2004 foi reduzido para nove países.

Apenas seis países de religião islâmica (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Brunei, Omã e Iêmen) e três pequenas nações (Liechtenstein, Antilhas Holandesas e Ilhas Virgens Britânicas) não tiveram representação feminina em Atenas-2004.

Em Pequim-2008 haverá menos países sem mulheres, já que Omã envia pela primeira vez uma representante feminina (a atleta Buthaina al-Yaakoobi), enquanto que os Emirados Árabes Unidos levarão duas (Maith Bin Rashid al-Maktum, filha do governador de Dubai, que participará no taekwondo, e Latifa al-Maktum, na eqüitação).

Há duas décadas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se esforça para favorecer as delegações mistas, aumentando o número de competições femininas no programa olímpico.

Em 1991, o COI decidiu que qualquer novo esporte inscrito deve obrigatoriamente ter provas femininas. Em Sydney-2000, as mulheres concorreram em 132 das 301 provas, em 25 dos 28 esportes.

Para Annie Sugier, presidente da Liga do Direito Internacional das Mulheres (LDIF), há diversos motivos que levam à segregação sexual.

"No passado, os países pobres, principalmente africanos, que não tinham muito dinheiro, quando tinham que escolher enviavam homens aos Jogos (como enviam para a escola mais homens do que mulheres)", afirmou Annie Sugier à AFP.

"Mas o Comitê Olímpico Internacional, estimulado por nós, atribuiu 40% dos créditos de solidariedade olímpica ao desenvolvimento de programas para a formação de atletas mulheres", acrescentou.

Mas para Sugier, o problema não é apenas de ordem econômica. "Há países que praticam a segregação institucionalizada entre homens e mulheres por razões religiosas", ressaltou.

"É preciso ameaçar excluir esses países por não respeitarem os termos da Carta Olímpica, que rejeita qualquer discriminação, incluindo a de sexo", explica.

Segundo a diretora da LDIF, existe também o problema das mulheres que devem competir com um véu, o que impede a participação de muitas delas em determinadas modalidades.

"É preciso desencadear uma verdadeira ofensiva contra a segregação e o véu como o COI fez contra a África do Sul", explicou Sugier, que defende a suspensão de determinados países que não enviam mulheres aos Jogos ou que participam apenas de algumas provas em que o véu é permitido.

Dos 57 membros da Organização da Conferência Islâmica, apenas dois vetam de forma aberta a participação das mulheres nos grandes eventos esportivos: Arábia Saudita e Brunei, embora na hora da verdade, muitos levem um número simbólico de atletas femininas, como o Irã, com uma atleta de arco-e-flecha e uma lutadora de taekwondo entre seus 52 esportistas.

Desde que em Amsterdã-1928 algumas mulheres obtiveram a permissão para competir no atletismo a situação feminina nos Jogos melhorou progressivamente.

Em Pequim-2008 haverá delegações muito equilibradas como algumas latino-americanas, como Brasil, Venezuela e México, embora haja outras em que ainda reina a desigualdade.

psr/dm/fp

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