Artista plástico Antonio Lizárraga morre em São Paulo

SÃO PAULO ¿ Morreu ontem, aos 84 anos, vítima de insuficiência cardíaca, o artista plástico Antonio Lizárraga, figura-chave da arte brasileira da segunda metade do século 20. Após sofrer falência dos rins há duas semanas, ele estava internado na unidade de terapia intensiva do Hospital São Luiz, em São Paulo.

Agência Estado |

Divulgação

O artista argentino Antonio Lizárraga

Lizárraga, nascido na Argentina em 1924, pertence à categoria dos artistas indispensáveis quando se trata de pensar a arte de seu tempo. Acompanhar sua trajetória e analisar os vários elementos presentes em sua carreira nos leva, de certa forma, a compreender melhor os rumos da arte brasileira do século passado. É verdade que Lizárraga só era brasileiro por adoção, mas participou intensamente do cenário artístico local em um período de grande experimentação formal e social.

Conheceu São Paulo e sua cena artística em 1956. Animado com o que viu, mudou-se definitivamente para o País em 1959. Nesse mesmo ano começou a fazer ilustrações para o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, dando início a uma longa colaboração que se estenderia até 1967.

Foi com colegas do jornal que aprendeu tipografia, linotipia e primeiras noções de diagramação ¿ lições que se tornariam úteis para os trabalhos em programação gráfica e desenho industrial que desenvolveu posteriormente. Se nos anos 60 esses trabalhos de caráter aplicado parecem dar a tônica de sua produção, a década seguinte aparece profundamente marcada pela experimentação, pela busca de uma arte de caráter coletivo e urbano.

Ações como o projeto de transformação da Rua Gaspar Lourenço, a criação da Cooperativa de Artistas e uma série de experiências no campo da criação gráfica marcaram fortemente sua ação nesse período, até o corte radical ocorrido em 1983, quando um acidente vascular cerebral o deixou tetraplégico. Foram necessários dois anos para que Lizárraga redescobrisse, por sugestão da parceira Gerty Saruê, as possibilidades de continuar explorando as artes visuais não mais por meio da execução direta do trabalho e de seu virtuosismo técnico, mas por meio de sua construção mental. Foi no projeto, executado por seus assistentes, que ele passou, desde então, a explorar as múltiplas possibilidades da composição da forma e da cor no espaço.

Após uma análise minuciosa dos caminhos e diálogos trilhados por Lizárraga, tanto nas primeiras décadas de sua carreira como no período posterior ao acidente, ela conclui apontando uma interessante relação entre expressão artística e busca existencial, vinculando a criação a um processo de conhecimento e autoconhecimento.

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