Articulações de petistas de BH abrem espaço para PT rever veto a PSDB

Os petistas mineiros favoráveis à polêmica aliança com o PSDB nas eleições para prefeito de Belo Horizonte poderão dar, nesta quinta-feira, um passo importante para convencer a cúpula do PT a rever o veto aos tucanos: a decisão do diretório estadual do partido sobre o caso. Fontes da legenda dizem que há tendência de aprovação da coligação nessa importante instância, além do trabalho de convencimento feito pelo grupo liderado pelo prefeito Fernando Pimentel junto a lideranças partidárias.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

A questão da aliança com o PSDB em BH se tornou tão delicada para o PT que os dois lados têm evitado fazer avaliações para a imprensa: os favoráveis, porque podem chamar muita atenção para o trabalho de convencimento junto à cúpula nacional do partido, e os contrários porque acentuam o estrago na imagem da legenda (pela suposta inflexibilidade e postura hegemonista).

Mas o fato é que a comissão executiva nacional do PT já não mostra a mesma disposição para barrar a aliança, como fez há três semanas, na sede do partido em Brasília. Segundo fontes do partido, alguns fatores são fundamentais para a maior flexibilidade. Em primeiro lugar, os defensores da aliança, principalmente o atual prefeito de BH, Fernando Pimentel, passaram a trabalhar nos bastidores, em vez de alardear a questão para a imprensa. Além disso, há a reiterada opinião favorável do presidente Lula, embora não faça discursos públicos sobre o tema, e ainda a grande possibilidade de o diretório estadual aprovar a coligação, nesta quinta, de forma a expandir do âmbito municipal para o estadual a maioria necessária à aprovação da aliança.

O presidente do diretório estadual do partido, deputado federal Reginaldo Lopes, por exemplo, foi um dos que apresentaram clara mudança de posição desde o veto da executiva nacional. Lopes tinha discurso contrário à aliança e mudou de opinião apesar de reconhecer a dificuldade para convencer a executiva.

E elogia a mudança de postura de Fernando Pimentel, que demonstra ter errado ao alardear nacionalmente a questão e tem procurado mudar votos tanto na executiva como no diretório nacional do PT, onde a questão será decidida se a executiva barrar (no dia 26) a aliança novamente.

Essa mea culpa [de Pimentel] e o reconhecimento de que o PT é um partido nacional [e não se deve relevar apenas o interesse local], e de que o PSDB não ocupará a cabeça de chapa nas eleições, deveria levar a uma posição mais moderada, defende Reginaldo Lopes.

Alegações

Como o próprio deputado federal ressalta, ainda há muito trabalho por fazer pelos defensores da aliança. Um cardeal do PT ouvido pelo Último Segundo, membro da executiva e que não quis se identificar, destacou que não há motivo para recuar e permitir a aliança porque o prejuízo ao PT já ocorreu com toda a polêmica, e a manutenção do veto não seria um desgaste adicional.

Já a deputada federal Maria do Carmo Lara (PT-MG), integrante da executiva que votou contra na primeira avaliação sobre a aliança, concordou sobre o prejuízo. Mas apresenta opinião um pouco mais relaxada que a de seu correligionário da cúpula petista.

Em qualquer cenário avaliado o PT já está perdendo, e isso começou quando abriu mão da cabeça de chapa [ou seja, de ter o candidato a prefeito]. Não tem fato novo para indicar que a executiva vai mudar de opinião, mas tem muitas conversas. E o diretório nacional vai avaliar no dia 30, desconversou a deputada, em tom cauteloso.

Outra integrante da executiva, a líder do PT no Senado, senadora Ideli Salvati (SC), adotou argumentos bastante incisivos contra os cardeais petistas de Minas Gerais contrários à aliança. Apesar de ressaltar que pouco participou das decisões da executiva, Ideli enfatizou que nenhum petista mineiro de peso teve coragem de se candidatar e evitar a confusão.

Ela discorda do raciocínio de alguns petistas de que fazer aliança com o PSDB seria entregar todo o patrimônio construído pelo PT em BH ¿ capital governada há 16 anos pelo partido ¿ nas mãos do governador Aécio Neves, outro grande interessado na aliança.

Estamos metidos nessa situação porque não teve ninguém do PT de peso que topasse ser candidato em BH. Eu não consigo ver solução entre retroceder ou ficar [com o veto]. Mas o problema não está no Aécio Neves, nos outros partidos, está em nós [o PT], ponderou a líder.

De todas as fontes ouvidas pelo Último Segundo, apenas uma se arriscou a dizer que a cúpula petista ¿ seja na decisão da executiva ou na avaliação final do diretório nacional ¿ não irá retroceder no veto à coligação. Foi justamente a fonte que preferiu não se identificar para não arriscar um desgaste.

Leia mais sobre: PT - PSDB

    Leia tudo sobre: psdbpt

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG